Polícia invade casa e liberta família feita refém em Campinas

Depois de 56 horas, o Grupo de Ação Tática e Estratégica (Gate) da PM invadiu a casa em que o homem identificado como Gleison Flávio de Salles, 23 anos, mantinha uma família refém na periferia de Campinas. Por volta das 20 horas, a PM conseguiu libertar Mara Sílvia de Souza, de 30 anos, e seu filho Tiago, de sete anos, após ouvir um disparo vindo de dentro da residência. Mais cedo, a PM já tinha conseguido negociar a libertação de Vitor, de 10 anos, que também era mantido no cativeiro. Logo ao sair, Vitor afirmou aos familiares, segundo a polícia, que "o homem não é mau e disse que vai soltar a mãe". Salles foi convencido, segundo policiais, por uma mulher da família. A polícia não informou o grau de parentesco da garota com o suspeito. O major da PM Luciano Casagrande informou que Salles é procurado pela polícia desde outubro de 2005. Foragido do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, teria cometido, segundo a polícia, três tentativas de homicídio e matado uma pessoa. Por volta de 19 horas, o suspeito já não fazia mais exigências de negociação e trabalhava com a hipótese de se entregar. Ele pediu, segundo informou o comandante do policiamento do interior, coronel Eliziário Barbosa, a garantia de não ser morto. Segundo a polícia, o suposto seqüestrador também pediu para falar com a mãe, Amara Salles, pelo celular. Na última terça-feira, 24, após assaltar com um outro homem uma loja de games de uma galeria comercial do Jardim Novo Campos Elíseos, periferia de Campinas, Salles fugiu e fez reféns a atendente Mara Sílvia de Souza,30 anos, e seus três filhos, Murilo, Thiago e Vitor, 4, 7 e 10 anos respectivamente. Murilo foi libertado às 16 horas da terça-feira, em troca de um colete à prova de balas. Depois de uma madrugada de silêncio, o suspeito fez dois contatos com a polícia, até as 19 horas desta quinta. O primeiro foi às 9h50, quando usou Mara como porta-voz e a fez pedir aos negociadores do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) água, cigarros e dois extintores. A polícia cedeu à primeira exigência, mas disse que só levaria os extintores em troca da liberdade das crianças. O suposto seqüestrador não concordou. E só retomou as negociações no fim da tarde, quando pediu a presença de um familiar. Gleison de Salles foi a terceira hipótese de suspeito trabalhada pela polícia. A PM já havia apurado informações sobre Felipe, um homem conhecido na região por cometer dois furtos, e Ivanildo, nome dado pela PM como um homem perigoso. Na tarde de quinta, policiais que tinham encontrado a irmã de um suspeito com passagem pela polícia chamado Ivanildo, tiveram de encontrar alguém próximo de Gleison. "Trabalhávamos com hipóteses. Recebemos informações e por meio de perguntas feitas pela parente chegamos a essa identificação", disse Casagrande. Depois de um dia cansativo de tentativas frustradas de retomar as negociações, a PM falou até mesmo que não descartava a ação de atiradores de elite. Segundo informou o coronel Eliziário Barbosa, "o Gate veio preparado para começar a negociação e terminar como for necessário". Segundo informou a polícia, pelo menos 50 homens da PM estavam no local ontem. Pelo menos quatro atiradores de elite foram vistos em frente à casa de Mara. Mas nenhum esboçou possibilidade de ação, como teria ocorrido na terça-feira. Segundo apurou o Estado, Salles teria percebido a presença de pelo menos um atirador e, por isso, teria disparado um tiro, na noite de terça. O atirador pertenceria ao Grupo Especial de Resgate (GER). Hora a hora do cárcere Terça-feira 11h50 - O criminoso rouba um videogame em uma loja no bairro Campos Elísios, em Campinas, e foge a pé. Um policial que fazia bico como segurança do local inicia uma perseguição 12 horas - Na Rua Coronel Pompeu de Camargo, o ladrão troca tiros com o policial. Depois invade uma casa e pula 3 muros até chegar à residência de Mara Souza 12h10 - Ele encontra a dona da casa e a faz refém junto com seus três filhos, Murilo, Victor e Thiago, de 3, 7 e 10 anos, respectivamente 13 horas - A polícia inicia a negociação 16 horas - O criminoso aceita trocar Murilo, de 3 anos, por um colete à prova de balas 17h30 - Isnaldo Soares de Oliveira, pai das crianças, chega para acompanhar as negociações 20 horas - Chega apoio do Grupo de Operações Tática Especiais (Gate). Nesse momento são cerca de 60 policiais em volta da casa 20h30 - A polícia corta a energia elétrica e a da água da casa Quarta-feira 5h30 - O bandido joga pela janela um radiocomunicador que havia sido entregue pela polícia 11h45 - O pai das crianças recebe uma ligação vinda do celular de Mara. O ladrão pedia cigarro. A polícia diz que atenderia em troca de outro refém. O criminoso nega e ainda pede um carro para fugir 13h30 - Oliveira recebe outra ligação. Mara diz que aceita sair da casa como escudo do assaltante em troca da libertação dos filhos. A polícia nega 17h30 - O criminoso pede outro colete à prova de balas para liberar mais um refém, mas depois voltou atrás Quinta-feira 00h30 - Seqüestrador pede dois extintores durante a negociação mas desiste da idéia. Polícia acredita que ele possa fazer uma cortina de fumaça para fugir. 08h30 - Seqüestro já dura 44 horas e é o mais longo do Estado. 09h40 - Criminoso volta a pedir os extintores e polícia negocia a libertação das duas crianças em troca dos equipamentos. 17 horas - O seqüestrador volta a negociar 19 horas - o rapaz liberta um dos filhos da atendente, Vitor, de 10 anos 20 horas - Gate invade a casa e liberta o restante da família que era mantida refém

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 20h05

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.