Polícia invade o Alemão, 3 morrem e 4 corpos são encontrados

Um dos corpos seria de Tota, traficante procurado pela polícia e que teria sido morto por traficantes rivais

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

17 de setembro de 2008 | 11h05

Um policial civil e dois supostos criminosos morreram nesta quarta-feira, 17, na megaoperação policial para localizar o corpo do traficante Antônio José de Souza Ferreira, o Tota, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Outros três policiais ficaram feridos, sendo um em estado grave. Quatro corpos carbonizados foram encontrados na localidade conhecida como Torre, na Favela da Fazendinha e, caso um deles seja do traficante, a polícia acredita que Tota foi morto por comparsas após desavenças com os chefes da facção criminosa Comando Vermelho. Veja também:Galeria com imagens da megaoperação  Tota teria sido morto por ordem de Beira-Mar, diz Beltrame  Este foi o segundo dia de operação nas favelas que já estavam parcialmente ocupadas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ação de desta quarta contou com cerca de 800 policiais civis de diversas delegacias especializadas com o apoio da Polícia Militar. Na entrada dos policiais pelos vários acessos ao conjunto de favelas, o tiroteio foi intenso. No Morro do Adeus, em Ramos, policiais do Bope entraram em confronto com traficantes e mataram dois supostos criminosos, Rodrigo André Gouvêa da Silva, de 18 anos, e um homem jovem e pardo ainda não identificado. Mesmo com o apoio de carros blindados e helicópteros, os policiais sentiam dificuldade em avançar. Na Favela da Fazendinha, o policial civil lotado da Delegacia de Combate às Drogas, Alexander Marchon, de 37 anos, foi atingido com um tiro na cabeça após se posicionar em cima da laje de um barraco. O agente, que participava de sua primeira operação, foi atendido no Hospital Getúlio Vargas, para onde foram levadas as vítimas. Ele foi operado, mas está em estado grave e respira com o auxílio de aparelhos.  Após a baixa na polícia, o tiroteio foi intenso. Dois moradores foram feridos na Fazendinha. Uma equipe da ONG Médicos Sem Fronteiras, que passou a atuar no Alemão, socorreu Paulo Roberto Soares, de 18 anos, atingido de raspão no braço por uma bala perdida ao sair de casa. Apesar de a mãe do rapaz pedir, a ambulância da ONG foi obrigada por agentes a esperar a autorização do delegado-titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, Herald Espíndola, para sair da favela. Logo em seguida, a dona de casa Elizabeth Dias Pinheiro, de 40, foi atingida com um tiro no braço direito, que ainda deixou estilhaços no abdômen. Ela foi socorrida pelos policiais e não corre risco de vida. Após o tiroteio, a polícia anunciou a descoberta de quatro corpos carbonizados na Fazendinha, nas proximidades da Rua Antônio Austragésilo, na localidade conhecida como Torre. Em uma fogueira, de onde ainda saía fumaça com cheiro da borracha de pneus queimados, uma coluna vertebral e ossos eram visíveis. O material foi recolhido e será enviado para análise de DNA. Os policiais continuaram vasculhando a favela em busca de outros corpos, mas nada encontraram.  De acordo com a polícia, toda a família de Tota teria sido morta após o traficante ter sido executado junto com outros três comparsas."Um informante disse que viu o corpo dele na caçamba de uma picape e que os filhos foram mortos após a execução dele", disse um policial civil. À tarde, a troca de tiros foi intensa em outra favela do complexo, a Nova Brasília e policiais da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (Drae), que estouraram um paiol de armas e drogas na Favela da Grota, ficaram encurralados pelos criminosos no alto do morro com dois policiais feridos. Um deles com um tiro de raspão na mão continuou na operação, mas outro, o agente Rivagner Batista dos Santos, de 44 anos , foi atingido com um tiro no fêmur e levado para o hospital. Operado, ele não corre risco de vida. Logo após o socorro aos policiais, uma outra equipe da Drae ficou encurralada. Agentes partiram em socorro aos colegas, entre eles o policial Luís Mello, de 30 anos, que foi atingido com um tiro de fuzil e morreu. A morte causou comoção entre os policiais e meia hora depois a operação foi encerrada. A polícia anunciou que apreendeu três metralhadoras Ponto 30 e dois fuzis calibre 12, além de 20 quilos de cocaína e 30 quilos de maconha em um paiol com monitoramento por câmeras descoberto por agentes da Drae na Favela da Grota. Três suspeitos foram detidos.Sinais Apesar de a morte de Tota e a motivação para o crime permanecerem obscuras, alguns sinais nesta quarta mostravam que não houve luto no Comando Vermelho. Não houve pressão do tráfico sobre o comércio local, as escolas e o transporte alternativo funcionaram normalmente. A Secretaria Municipal de Educação confirmou que as escolas abriram, mas informou que o movimento foi fraco, pois muitos pais não levaram os filhos com medo de balas perdidas. Houve também expediente no canteiro de obras do PAC, localizado fora da favela.  Com informações de Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo. Atualizada às 21h18 para acréscimo de informações

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