Polícia investiga caso do bebê que teria sido velado vivo no RS

Criança teve problemas cadio-respiratórios e médicos não conseguiram reanimá-lo; hospital abriu sindicância

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2008 | 14h57

O caso de um bebê morto que teria chorado e mexido as pernas durante o velório gerou a abertura de sindicâncias no Hospital de Caridade de Canela (RS) e Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) e de um inquérito da Polícia Civil. As investigações vão indicar se a morte foi atestada pelos médicos antes de ter ocorrido e se houve negligência no atendimento. O menino Bryan Velho Padilha nasceu às 22 horas de terça-feira com complicações cardiológicas e respiratórias. Por cerca de duas horas os médicos tentaram reanimá-lo, mas logo depois da meia-noite constataram que não haveria mais nada a fazer. Durante a madrugada, já no velório, os familiares disseram ter ouvido a criança respirar. Além disso, ela teria movido as pernas dentro do caixão. O bebê foi levado de volta ao hospital, passou por novas tentativas de reanimação e foi declarado morto às 6 horas. O hospital não divulgou o nome das pessoas que prestaram o atendimento, mas seu administrador, José Machado, disse à imprensa gaúcha que a avaliação feita pelo corpo clínico da instituição é de que não houve anormalidades. Os médicos acreditam que os sons que deram idéia de respiração podem ser reação do cadáver à grande quantidade de oxigênio usada durante as tentativas de reanimação. Em nota, o diretor-presidente do hospital, Erni Schaffer, o diretor técnico, Tales Danelon e o diretor clínico, Marcelo Soprano, lamentaram a morte da criança e afirmaram que não podem comentar sobre o assunto até que as investigações sejam concluídas. Veja a íntegra do comunicado: "A mãe Jéssica Velho da Silva deu entrada no hospital às 10h40 do dia 2 de setembro, em trabalho de parto. Teve dez atendimentos incluindo avaliações médicas e exames, e às 22h09 nasceu de parto normal a criança do sexo masculino sem sinais vitais tendo sido realizados os procedimentos necessários para reanimação, a criança permaneceu sem reação.  O ato foi acompanhado por médico obstetra, pediatra, enfermeira e técnica em enfermagem tendo recebido medicamentos, berço aquecido, cuidados precípuos para o melhor atendimento possível, contudo, foi constatado o óbito de acordo com os protocolos médicos.  Por motivos que estão sendo apurados inclusive pelas autoridades policiais, durante o velório na madrugada do dia 3, os familiares da criança suspeitaram que ele estava emitindo sons. Às 03h53 a criança deu entrada novamente no hospital tendo sido retomados os procedimentos de ressuscitação, porém, sem êxito.  Lamentamos profundamente pelo ocorrido, porém, até que se apurem os fatos não podem as pessoas emitir juízo a respeito, pois inclusive existem casos semelhantes na literatura médica.  O Hospital instaurou Comissão de Sindicância para apurar internamente o ocorrido e a Sociedade de Pediatria inclusive já apoiou os procedimentos adotados pela médica. Por fim, o Hospital de Caridade de Canela e seu corpo clínico se solidarizam e agradecem a colaboração e apoio dos familiares".

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