Polícia investiga chacina de seis jovens em Betim-MG

Corpos parcialmente carbonizados foram encontrados pela PM, dispostos ao lado de uma linha férrea

Eduardo Kattah, especial para O Estado,

29 de julho de 2008 | 18h37

A Polícia Civil instaurou nesta terça-feira, 29, inquérito para apurar as causas e circunstâncias do assassinato de seis jovens na cidade de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Os corpos parcialmente carbonizados foram encontrados no início da manhã pela Polícia Militar, dispostos ao lado de uma linha férrea, nas proximidades de um campo de futebol, no bairro Alvorada.  Cinco vítimas identificadas tinham entre 18 e 23 anos. Os jovens estavam com as mãos amarradas para trás. Eles foram assassinados a facadas, pedradas e com tiros na cabeça. A suspeita da polícia é que a chacina foi motivada pelo tráfico de drogas na região. Pelo menos quatro mortos teriam dívidas com traficantes.  "Certamente foi feita uma emboscada", disse o tenente Pablo Azevedo. "Eles (os autores) planejaram de alguma forma essas execuções. É uma prova de poder dessa facção." Foram identificados os corpos dos irmãos Fernando Alves Dias, de 19 anos, e Tiago Alves Dias, de 20. Outros dois irmãos - Bernardo Epifânio Ribeiro, de 23 anos, e William Ribeiro Caetano, de 18 - e Everton Fernandes de Oliveira, de 21 anos, também foram assassinados com requintes de crueldade.  Os corpos foram encaminhados para exame de necropsia no Instituto Médico-Legal (IML). Segundo os peritos, a princípio, os agressores amarraram com fios elétricos as mãos dos rapazes, que foram mortos e depois tiveram os corpos queimados. As investigações serão conduzidas pela Delegacia de Crimes Contra a Vida de Betim, com apoio da Divisão de Homicídio da capital e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil.  Segundo o delegado Wagner Pinto, o objetivo inicial é descobrir a motivação da chacina. "Ainda nada temos a adiantar sobre a autoria do fato criminoso." De acordo com o delegado, as vítimas eram moradores da região e tudo indica que mantinham uma "certa amizade".  Populares contaram aos policiais militares que Tiago havia testemunhado um assassinato recentemente e estaria "jurado de morte." A polícia vai investigar a denúncia. O pai de Fernando e Tiago Alves Dias confessou que o filho mais novo tinha envolvimento com drogas. Já Cleusa Ribeiro, tia dos irmãos Bernardo e William, disse que eles já haviam largado o consumo de drogas. Ela afirmou que Bernardo havia retornado na última sexta-feira para Belo Horizonte depois de passar cinco meses em uma clínica de recuperação no interior do Estado. "Mas os traficantes continuavam atrás dele. Hoje ele começaria a trabalhar", lamentou.

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