Polícia investiga de onde partiu tiro que matou idosa na Maré

Terezinha Justina da Silva, de 73 anos, foi atingida no peito e no abdômen e morreu após dar entrada no hospital

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2014 | 16h19

Atualizada às 22h49

RIO - A Polícia Civil abriu inquérito para investigar de onde partiram os tiros que atingiram dois moradores do Complexo da Maré, zona norte do Rio, durante patrulhamento da Força de Pacificação, às 22h desta segunda-feira.

Terezinha Justina da Silva, de 73 anos, foi atingida no peito e no abdome e morreu após dar entrada no hospital. Já Francisco Oliveira Lemos, de 47 anos, foi baleado na perna. Ele foi medicado e passa bem. Lemos já foi interrogado pela Divisão de Homicídios. A polícia também vai ouvir os depoimentos de outras testemunhas e dos PMs que estavam na viatura atacada.

O caso foi na Vila dos Pinheiros, uma das 15 favelas da Maré que foram ocupadas em 30 de março pela Polícia Militar. No último dia 5, o patrulhamento na região passou para o Exército e para a Marinha, com apoio da PM. A Vila dos Pinheiros é área de atuação de traficantes ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), cujo chefe, Marcelo Santos das Dores, o Menor P, foi preso há duas semanas.

Segundo a Força de Pacificação, uma patrulha motorizada da PM, integrante da força, se deslocava pela Rua C4, na Vila dos Pinheiros, "quando começou a ser alvejada por diversos disparos de fuzil". A nota diz ainda que "diante da ameaça, a viatura se evadiu do local, buscando preservar a vida dos militares", que não teriam revidado. A Força ainda está apurando se as duas vítimas foram baleadas durante o ataque à viatura.

Após ter sido baleada, Terezinha foi levada por moradores à Unidade de Pronto Atendimento da Maré. Em seguida, foi transferida para o Hospital Federal de Bonsucesso, onde deu entrada às 22h07. Ela morreu às 22h40.

"Jantei com ela e depois fui para minha casa, que é perto. Minha mãe tinha ido à farmácia comprar remédio para pressão. Ouvi uma rajada de tiros, que foi rápida. Logo depois, algumas pessoas começaram a gritar pelo meu nome", contou o auxiliar gráfico Antônio Carlos da Silva Barbosa, de 43 anos, filho caçula de Terezinha. "Alguns disseram que o tiro foi disparado pelo Exército, mas eu não posso confirmar porque não estava lá", disse Barbosa.

Terezinha deixa marido, cinco filhos, seis netos e um bisneto. Nascida no Acre, vivia há mais de 40 anos no Complexo da Maré. Ela é a segunda pessoa morta a tiros na Maré desde que as Forças Armadas passaram a atuar no conjunto de favelas.

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