Polícia investiga entrega de celulares a Elias Maluco

A polícia investiga se os celulares encontrados nesta quinta-feira na cela do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, no Batalhão de Choque da PM, foram levados pelas pessoas que visitam os outros presos ou se foram passados por policiais corruptos.Além de Elias e de outros seis traficantes, estão no quartel 32 detidos, que são PMs, ex-PMs e criminosos comuns. O comandante do BPChoque, coronel Francisco Spárgoli, admitiu que as revistas aos visitantes dos outros detentos não são rigorosas. ?Tudo está sendo investigado. As outras visitas não têm aquele rigor na revista. É uma revista superficial, em bolsas. Nas penitenciárias é diferente, tem que tirar a roupa.?Ele disse ainda que as celas desses presos não são vasculhadas com tanta freqüência ? nas dos traficantes há duas varreduras por dia, de manhã e de tarde. Spárgoli afirmou que os soldados que fazem a segurança no quartel podem ter facilitado a entrada dos telefones. ?Falha houve. De um jeito ou de outro, a segurança falhou e vamos apurar isso.?Nesta sexta de manhã, policiais fizeram duas revistas nas celas, mas nada foi encontrado. Os traficantes não têm permissão para receber parentes, somente advogados, e têm de conversar com eles num parlatório improvisado, que fica no meio do pátio do batalhão.Por causa disso, é pouco provável a hipótese de os aparelhos terem sido repassados pelos advogados, segundo o comandante da PM, coronel Francisco Braz. Braz afirmou nesta sexta, em tom de desabafo, que todos os policiais deveriam estar envergonhados com a possibilidade de os celulares terem sido passados por PMs corruptos. O coronel fez 55 anos nesta sexta e disse que a notícia foi ?o pior presente de aniversário que já recebeu.?A entrada dos celulares está sendo investigada pela Corregedoria da PM e a Corregedoria-Geral Unificada. Os aparelhos serão periciados, e as contas, checadas, para ver com quem Elias Maluco conversou. Todos os policiais que trabalham no quartel deverão ser ouvidos, para que seja apurado se houve conivência ou omissão.O corregedor-geral, Aldney Peixoto, que investigava desde o último dia 14 denúncia de que o traficante mantinha pelo menos um telefone em sua cela, disse que a descoberta reforça sua tese de que o quartel da PM não é lugar adequado para abrigar criminosos de alta periculosidade.?O batalhão não foi construído para isso. O ideal é que eles estivessem em Bangu 1, que é de segurança máxima?, afirmou. Os criminosos foram transferidos de Bangu para o BPChoque depois da rebelião de 11 de setembro, durante a qual o presídio foi destruído.Aldney Peixoto recebeu a informação de que Elias se comunicara com um de seus advogados, Paulo Roberto Cuzzuol, e alertou a PM. Mas, segundo ele, uma revista feita após a denúncia não encontrou nada. O corregedor solicitou então à PM as fitas do circuito interno de TV que monitora as celas. As gravações ainda não lhe foram entregues.Agora, foram solicitadas também pela corregedoria da PM. Para o comandante da PM, o batalhão ainda é o melhor lugar para abrigar os criminosos, apesar de não ter essa função originalmente. Ele disse nesta sexta que a falha foi cometida por causa da sobrecarga de trabalho. ?Como o batalhão não foi preparado para isso, o pessoal foi sobrecarregado. Daí a falha?, afirmou.Os celulares estavam escondidos na divisória de madeira compensada, na cela que Elias Maluco divide com Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinho Niterói. Elias é o principal acusado do assassinato do jornalista Tim Lopes, e Marquinho teria ordenado o fechamento do comércio na Região Metropolitana no dia 30 de setembro.Além deles, estão no batalhão os líderes do motim em Bangu: Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, Márcio Antônio Pereira da Silva, o Mighty Thor, Márcio Silva Macedo, o Gigante, e Marcos Marinho dos Santos, o Chapolim. Os traficantes ocupam três das treze celas

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