Polícia investiga morte de menino em passeio de banana-boat

A Polícia Civil de Porto Seguro abriu inquérito para investigar a morte de Lucas Almeida, de 7 anos, em um acidente ocorrido durante um passeio de bote puxado por lancha, conhecido como banana-boat, por volta das 13 horas de domingo, 5. Mineiro de Almenara, Lucas estava viajando pelo sul da Bahia com uma tia, Márcia Nunes, e um filho dela, de 17 anos, no feriado prolongado. No domingo, pediu à tia para andar de banana-boat antes de voltar a Minas Gerais. Acabou caindo do bote, durante uma manobra de rotina, e foi degolado."Ainda não podemos dizer se o menino foi atingido pelas hélices da lancha ou pela corda que liga a embarcação ao bote, mas a segunda hipótese é mais provável", contou o delegado William Soares Silveira, da Delegacia do Turista de Porto Seguro. "Pelo que já apuramos, foi um trágico acidente e não há quem culpar pela fatalidade", afirmou Silveira. "Mas se for atestado, após as investigações, que houve negligência ou imperícia de algum dos envolvidos, ele será indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar)".Especialistas do Instituto Médico-Legal (IML) de Eunápolis, no sul da Bahia, fizeram a autópsia no corpo de Lucas e afirmam que o resultado sai em, no máximo, 30 dias. De acordo com o delegado, só depois disso as investigações serão concluídas. Até o fim da tarde desta segunda, a cabeça do menino não havia sido encontrada. Equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros participam das buscas.Segundo dados preliminares da Capitania dos Portos, a empresa que comercializa o passeio está em situação regular, bem como a embarcação que rebocava o bote, que navegava em área permitida para a atividade e tinha todos os equipamentos de segurança exigidos na hora do acidente - incluindo a proteção de hélice, para evitar o choque de banhistas com o equipamento. Além disso, segundo o órgão, o condutor da lancha, Gilmar Santos da Silva, está habilitado a pilotar embarcações do gênero.O responsável pela Capitania dos Portos no litoral sul baiano, capitão-tenente André Gomes Freitas, afirmou que o órgão também vai instaurar um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente e identificar possíveis responsáveis. "Nunca houve um acidente assim na região", relatou.O acidenteFaltava apenas uma hora para que Lucas, Márcia e o filho dela começassem a viagem de volta a Minas Gerais quando o acidente ocorreu. Segundo testemunhas ouvidas pelo delegado Silveira, a lancha já terminava o passeio quando os ocupantes do bote caíram da embarcação, em uma manobra conhecida como "tombo". Pouco depois, o corpo de Lucas apareceu boiando na água."O ajudante do piloto do barco foi quem pegou o corpo do menino e tentou procurar ajuda, sem notar que ele havia sido decapitado", contou o delegado. Em estado de choque, Márcia e seu filho - que também participava do passeio - chegaram a ser levados ao Hospital Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro. Foram medicados e liberados pouco depois.Ao saber do acidente, os pais do menino foram a Porto Seguro, onde aguardaram a liberação do corpo do filho do IML. Na manhã desta segunda, voltaram a Minas Gerais, onde o corpo do menino será enterrado.

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