Polícia investiga possível indução a suicídio no Orkut

A Polícia Civil de Ponta Grossa, a cerca de 120 quilômetros de Curitiba, investiga a suspeita de que um estudante foi difamado e induzido a cometer suicídio por membros de uma comunidade do Orkut chamada "No Escuro Ponta Grossa". O corpo do rapaz foi encontrado no dia 5, na garagem de sua casa. Ele morreu por inalação de monóxido de carbono."As informações que chegaram até agora é de que houve a instigação, por isso é objeto de investigação", disse o delegado operacional de Ponta Grossa, Homero Vieira Neto. Segundo ele, havia cerca de um ano que Arruda era alvo de difamação, calúnia e injúria por parte da comunidade do Orkut. "Diziam que essa pessoa não seria bem-vinda na sociedade em razão de sua opção sexual", acentuou. No site de relacionamento, ele era chamado de pedófilo. "Disseram que pessoas desse tipo tinham que morrer, que não podiam conviver na sociedade", afirmou o delegado.De acordo com amigos de Arruda, a pressão psicológica sobre o rapaz extrapolou o computador e ele era hostilizado na rua. Por isso, teria começado a escrever mensagens na internet dizendo que se mataria. Integrantes da comunidade "No Escuro Ponta Grossa" souberam disso e passaram a encorajá-lo. "Deram-lhe a receita", disse o delegado. Arruda colocou uma mangueira no cano de escape do carro, entrou no veículo, ligou o motor e morreu ao inalar o monóxido de carbono. "É até meio diabólico", comentou Vieira Neto.O delegado afirmou que serão levantados novos dados sobre o histórico de Arruda, que estaria passando por um quadro de depressão, contribuindo para o ato que cometeu. "Se não tomarmos providências de forma enérgica isso pode ganhar corpo, porque o grupo não tem escrúpulos", ressaltou. Por isso, ele solicitou o auxílio do Núcleo de Combate aos Cybercrimes, de Curitiba.Segundo o delegado responsável pelo serviço, Demetrius Gonzaga de Oliveira, é possível chegar-se aos autores do "linchamento" de Arruda. "Temos que nos valer dos mecanismos jurídicos e tecnológicos", acentuou. Serão analisados os contatos feitos pelo estudante por meio de correio eletrônico e será solicitada a quebra de sigilo do Orkut.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.