Fábio Motta/AE
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Polícia investiga se Beira-Mar ordenou ataques ao AfroReggae

Gravação de conversa do traficante com Marcinho VP, em presídio no Paraná, indica que os dois teriam tramado os quatro recentes crimes contra a ONG no Rio

O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2013 | 10h27

RIO - A gravação de uma conversa entre os traficantes cariocas Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, na penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, em 10 de maio deste ano, indica que os dois teriam tramado os quatro recentes ataques à ONG AfroReggae nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. O caso foi revelado nesse domingo, 11, pelo "Fantástico", da TV Globo.

A conversa ocorreu no parlatório do presídio, e foi gravada em áudio e vídeo. Beira-Mar e Marcinho VP ficaram separados por um vidro, e se falaram por um interfone. O encontro foi autorizado pela Justiça após Beira-Mar alegar que estava se sentindo muito sozinho em cela separada.

De acordo com a reportagem, na conversa os traficantes comentam a prisão do pastor Marcos Pereira da Silva, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), ocorrida três dias antes. O religioso é acusado de estuprar duas fiéis de sua igreja e é investigado por associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e homicídios. No diálogo, os traficantes criticam a atuação do coordenador do AfroReggae, José Júnior, que segundo deles teria "comprado" testemunhas para depor contra o pastor. Júnior nega a acusação.

Em determinado momento, Beira-Mar diz a Marcinho VP: "Tipo assim, compraram. Compraram é eufemismo. Foi o Juninho que estava por trás disso, né... Tinha que mandar um salve lá pra ele".

Segundo o delegado Marcio Mendonça, da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) da Polícia Civil do Rio, na linguagem dos traficantes a palavra "salve" quer dizer ataque, represália.

O primeiro ataque contra o AfroReggae ocorreu 16 dias depois da conversa, durante a corrida Desafio da Paz, promovida pela ONG no Complexo do Alemão. Pouco antes da corrida, traficantes efetuaram disparos de fuzil, levando pânico a diversos participantes.

Em julho, um incêndio criminoso destruiu uma pousada do AfroReggae no Complexo do Alemão. Depois, as sedes da ONG no Alemão e na Vila Cruzeiro, no vizinho Complexo da Penha, foram atacadas a tiros.

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