Polícia investiga se deputado do PA abusou de menor

Garota de 13 anos denunciou Luiz Afonso Sefer, que nega a acusação

Carlos Mendes, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

A Promotoria da Infância e Juventude do Pará pediu abertura de inquérito policial contra o deputado estadual Luiz Afonso Sefer (DEM), por crime de pedofilia supostamente cometido contra uma menina de 13 anos, que aos 9 chegou do interior do Estado para trabalhar na casa dele. O juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, José Maria Teixeira do Rosário, recebeu e encaminhou ao Ministério Público relatório social do Pró-Paz referente ao depoimento da garota, feito na presença de uma parente. Nesse depoimento, de 22 de outubro, ela afirmou que é abusada sexualmente por Sefer desde os 9 anos de idade. A Divisão de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Data) confirmou que já abriu inquérito para apurar o caso. Em nota, o Ministério Público informou que vai aguardar a conclusão das investigações e diligências que serão realizadas durante o inquérito policial para "tomar as devidas providências que o caso requer". O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), deve convocar Sefer para depor em Brasília antes do recesso parlamentar. Em um inflamado pronunciamento da tribuna da Assembléia Legislativa do Pará, no fim do qual recebeu a solidariedade de quase todos os colegas de plenário, Sefer negou a acusação, ontem pela manhã, afirmando estar sendo vítima de "linchamento moral" e de estar sofrendo chantagem para não ser denunciado publicamente por um locutor de rádio de Belém. O deputado não disse quem seria o autor da chantagem. "Essa denúncia contra mim é volátil e inconsistente, não tem nenhum fundamento", rebateu o deputado, observando que a menina tem "problemas psicológicos" e que nunca se ajustou ao convívio familiar. "Não queria estudar e eu fiz tudo por ela, inclusive a matriculei em curso de informática, além de pagar aulas de natação", disse Sefer. Ele acrescentou também que a menor tinha a chave da casa e que saía sem dizer para onde ia. Para ele, a menor foi "induzida por alguém" a denunciá-lo. A certa altura, chegou a declarar não existir nenhum processo de pedofilia contra ele, apesar do pedido de investigação determinado pelo Ministério Público. E acrescentou: "Se existir será por conta de todo este bafafá que estão fazendo."

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