Polícia investiga se falso assessor teve ajuda de funcionário

A polícia quer saber se alguém dentro da Procuradoria da Fazenda Nacional de SP sabia das atividades criminosas do estudante de direito Roberto Hissa Freire da Fonseca, de 23 anos, que se apresentava como assessor jurídico do órgão. Hissa aparenta ter problemas mentais e enganou os pais e três pessoas contratadas pela delegacia usando o falso cargo, diz o delegado-adjunto, Daniel Mayr Pereira. O relatório do inquérito da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) recomendará que a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo investigue se alguém na Procuradoria sabia que o estudante não era funcionário do órgão. Hissa foi preso em flagrante como estelionatário no dia 23 de março, com uma procuração com o timbre da PFN e a assinatura falsificada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que supostamente lhe dava poderes para se apresentar em nome do órgão federal. Por três vezes, Hissa tentou marcar uma audiência com o governador do Rio, Sergio Cabral Filho, o que levantou a suspeita da segurança do Palácio Guanabara. Segundo o protocolo, o pedido de audiência entre autoridades é feito através de ofício, e não por telefone. A Secretaria de Segurança acionou a polícia, que abordou Hissa e outras três pessoas no momento em que deixavam um hotel cinco estrelas na zona sul do Rio. Ao mesmo tempo, a Deat entrava em contato com a PFN-SP. Um ofício do subprocurador José Roberto Marques Couto informou que o jovem "jamais exerceu a função de assessor jurídico na unidade", embora tenha sido estagiário no órgão durante seis meses, entre abril e novembro de 2006. Durante os dois dias que passou no Estado, Hissa gastou quase R$ 50 mil. Alugou um jatinho no aeroporto Santos Dumont para ir do Rio a Campos, no norte fluminense, em seguida para Brasília e depois para São Paulo. O frete custou R$ 40 mil, que o falso assessor pediu que fosse enviada à sede da procuradoria. No hotel, a dívida de Hissa e seu grupo, formado por seu "assessor político", Paulo de Mathias Rizzo, 35, pelo "assessor de inteligência", Edson Dolcinotti Rosa, 58, e Mauro Benigno, a quem o jovem atribuiu o cargo de assessor de segurança, passou de R$ 5mil. Foram alugadas três suítes, entre elas a presidencial. Só num almoço, o jovem gastou R$ 360. Após a prisão, parentes de Hissa vieram ao Rio e pagaram a conta do hotel. Os quatro membros do grupo foram autuados em flagrante por estelionato, e, se condenados, poderão cumprir de um a cinco anos de reclusão. No entanto, os policiais acreditam que os três assessores do jovem também tenham sido enganados. No mesmo dia da prisão, a 30ª Vara Criminal do Rio concedeu a liberdade provisória ao estelionatário. Os três acompanhantes foram soltos três dias depois.

Agencia Estado,

09 Abril 2007 | 18h58

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.