Polícia investiga se irmã adotiva de Pedrinho também foi seqüestrada

A polícia civil de Goiás começou nesta terça-feira a investigar a denúncia de que Vilma Martins Costa, acusada de ter seqüestrado Osvaldo Borges Junior, o Pedrinho, de uma maternidade de Brasília, há 16 anos, também seria responsável pelo seqüestro de outra criança.Segundo a denúncia, Roberta Martins Borges, uma das irmãs adotivas de Pedrinho, também não é filha de Vilma. A informação foi dada à Polícia de Goiânia pela própria irmã de Vilma, Guiomar Martins Costa, numa fita gravada. Guiomar será ouvida nos próximos dias pela delegada Nilza Moreira, que não descarta a possibilidade de pedir exame de DNA para esclarecer o caso.Taquaral?A Roberta eles arrumaram no Taquaral?, teria dito a irmã de Vilma aos policiais, referindo-se a uma pequena cidade localizada a 80 quilômetros de Goiânia. ?A denunciante deverá ser uma das primeiras pessoas a serem ouvidas?, afirmou Nilza. ?Dependendo do andamento das investigações, poderemos ouvir a dona Vilma também.?Uma das dificuldades do caso, segundo a delegada, é o tempo já decorrido. Segundo informações obtidas por ela, se o fato realmente aconteceu, foi há 19 anos. ?O problema será convencer as pessoas a falar. Além disso, existe o medo de dar declarações por causa da repercussão do caso Pedrinho?, disse Nilza Moreira.Conforme a policial, Taquaral é uma pequena cidade, onde todos se conhecem, aumentando as dificuldades. ?Quanto menor o local, mais medo o pessoal tem. A investigação pode dar trabalho, mas não é também uma missão impossível.?Polícia diz que não tem mais dúvidas sobre VilmaVilma se negou nesta terça-feira a prestar depoimento aos delegados Hertz Andrade Sanchez e José Reis, da Polícia Civil de Brasília, sobre o caso Pedrinho, afirmando que só falará em juízo. ?Ela está na posição de alguém que comete um crime?, afirmou o delegado José Reis. ?Não temos mais dúvidas sobre ela, e já esperávamos que ela não ajudasse a polícia.?Segundo Reis, Pedrinho também pode estar sendo manipulado pela família adotiva contra os pais biológicos, o casal Jairo e Maria Auxiliadora Braule Pinto. Os delegados Hertz Sanchez e Reis ouviram a ex-mulher de Osvaldo Borges (último marido de Vilma) e seu filho, Jorge Borges. Eles confirmaram que Osvaldo não sabia que Pedrinho era adotado, muito menos que havia sido seqüestrado de uma maternidade de Brasília.Fonte sigilosaAlém dos dois, também prestaram depoimento o irmão de Vilma, Sinfrônio Costa, e uma mulher que alugou uma casa para a mãe adotiva de Pedrinho na época do seqüestro. Mas, neste caso, os delegados se recusaram a revelar o teor das declarações. Fontes da polícia informaram que a adolescente responsável pela denúncia que acabou permitindo a identificação de Pedrinho também prestou depoimento de forma sigilosa.Abatida e sob medicaçãoAparentemente abatida, Vilma chegou cercada de seguranças à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), onde as três filhas ? Roberta, Christiane e Patrícia ? a esperavam e tentaram, por meio de agressões, impedir que a mãe fosse fotografada. Vilma passou parte do tempo chorando e recusou-se a falar com a imprensa.Seu advogado, Ezízio Alves Barbosa, afirmou que tentou cancelar o interrogatório pelo fato de a sua cliente estar sob medicação. Barbosa afirmou que as declarações de Maria Auxiliadora Braule Pinto, mãe biológica de Pedrinho, de que reconhecera Vilma no primeiro momento em que a viu, durante o encontro com o filho, acabou beneficiando sua cliente.Para justificar isso, o advogado mostrou a página 41 do livro escrito por Auxiliadora há 14 anos. No livro, que teve um exemplar entregue a Pedrinho, há duas semanas, a mãe verdadeira teria acusado Angela Maria Carmo de ser a seqüestradora. Mas na página 73, Auxiliadora afirma que Angela não foi identificada pela família porque a polícia teria prejudicado o reconhecimento.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 19h14

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