Polícia investiga se PMs atiraram em médico

Baleado na cabeça durante tentativa de assalto, neste sábado, ao lado da mulher e da filha de quatro meses, o médico Carlos Fernando Fernandez Ricaut, de 36 anos, morreu neste domingo de manhã no Hospital Barra D?Or, na zona oeste do Rio.Ele foi atingido dentro de seu carro em uma troca de troca de tiros entre policiais militares e o assaltante Jorge Luís de Jesus Costa, no cruzamento das ruas Teodoro da Silva e Barão do Bom Retiro, no Grajaú, zona norte.O criminoso estava dentro do carro do médico, junto com a família dele, quando foi surpreendido pela chegada de dois policiais. Ricaut teria se recusado a obedecer às ordens do assaltante para avançar com o carro na direção dos PMs.Sua mulher, a médica Carla Adriana Reis, foi baleada no pé esquerdo durante o tiroteio, que deixou o carro crivado de balas. A criança e sua babá não ficaram feridos.Costa foi preso e levado para a 25ª DP. Outros assaltantes, que davam cobertura a ele, conseguiram fugir. O secretário da Segurança Pública, coronel Josias Quintal, admitiu a possibilidade de o médico ter sido atingido por tiros disparados pelos dois PMs. Ele verificou que a arma apreendida com o assaltante tinha somente duas cápsulas deflagradas, e Ricaut fora atingido por três tiros. ?Não descartamos a hipótese de o médico ter sido baleado pelos PMs, e a prova disso é que apreendemos as armas dos policiais", afirmou o secretário.Ele disse que vai analisar a conduta dos dois PMs. Eles podem ser responsabilizados pela morte do médico, se for comprovado que agiram com imperícia. ?Impedir um assalto requer técnicas. E eu quero saber se essas técnicas foram utilizadas.?O médico foi operado pelos neurocirurgiões Rui Monteiro e Marlo Flores e pelo cirurgião vascular Arno Von Ristow durante três horas. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ?foi tentada uma manobra neurocirúrgica extrema, para reduzir a pressão craniana, causada pela forte intensidade da hemorragia e da inflamação, com o objetivo de reparar os danos causados pela bala, que praticamente destruiu metade do lado direito do cérebro do paciente?.O secretário da Segurança descartou a hipótese de rever a estratégia utilizada nos chamados Polígonos de Segurança, em que dois policiais militares e um carro permanecem de plantão sob uma tenda, em pontos considerados críticos da cidade.?Essa região da Tijuca é um vale cercado por favelas, onde vivem criminosos. É um bairro que requer atenção especial da polícia por conta dessa característica peculiar. O Polígono de Segurança é uma modalidade nova, que está sendo colocada em prática agora. Esses crimes recentes não desmerecem a iniciativa?, afirmou Quintal, referindo-se à morte de uma professora, num posto de gasolina da Tijuca, há uma semana, e ao advogado Jorge Luis Pereira Albanessi, baleado na última sexta-feira, no Maracanã.

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