Polícia já descarta participação de Beira-Mar na morte de juiz

A polícia suspeita de que a ordem para matar o juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, tenha partido de um presídio em Ourinhos, no interior de São Paulo. Já está praticamente descartada a participação do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, no crime. Da mesma forma, a cúpula do PCC ? facção de detentos que domina os presídios ? não estaria envolvida.?É alguma coisa que pode ser mais PCC, sem ser cúpula?, disse nesta segunda-feira ao Estado o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.A polícia apura ainda a informação de que o assassinato do juiz tenha sido uma represália à suposta morte de dois detentos, ocorrida dentro de uma das cadeias da região. Os presos teriam morrido em conseqüência de violência sofrida por parte de agentes.O juiz apurava o fato por meio de uma sindicância, cujo resultado teria desagradado aos criminosos. Além disso, Dias era um juiz do tipo ?mão pesada? com os detentos e já não contava com a simpatia da massa carcerária.Essas pistas têm levado os policiais a acreditar cada vez mais que os criminosos são ?ladrões comuns? e que, além de desafiarem o Estado, também tinham um sentimento de vingança pessoal. ?Se fosse uma coisa mais de cúpula (do PCC), teria sido quase uma disputa de poder, de enfrentamento. De qualquer forma, é bem grave o fato de matarem um juiz?, afirmou o ministro.Para membros do Ministério Público Estadual (MPE) que acompanham a investigação do crime, os líderes do PCC não dariam ordem para assassinar um juiz-corregedor ? responsável também pela garantia dos direitos dos detentos. ?Isso seria um tiro no pé?, disse um dos promotores.Um dos fundadores do PCC, César Augusto Roriz, o Cesinha, foi retirado do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) por decisão do próprio juiz, dias antes do crime. Ele foi transferido para o Cadeião de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e em seguida foi para a Penitenciária de Martinópolis.Segundo o secretário-adjunto da Administração Penitenciária, José Rolim Neto, Cesinha ficou apenas dois dias por lá e retornou para Presidente Bernardes, porque está jurado de morte pela atual cúpula da facção. Para os promotores, quem cometeu o crime esqueceu que o juiz não estava de lado nenhum e que seria, na verdade, a única garantia dos presos.Veja o especial:

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