Polícia liberta empresário seqüestrado

Durante mais de 20 horas, o empresário do ramo de informática Luiz Alcântara da Silva ficou trancado numa casa da Rua Aparecida de Minas, no Jardim Peri Alto, zona norte de São Paulo. Mantido como refém, enquanto os seqüestradores utilizavam seus cartões de crédito para fazer compras, ele permaneceu, por todo esse período, com a cabeça coberta por um capuz e um saco plástico.A polícia "estourou" o cativeiro, às 19 horas de ontem, e deteve cinco pessoas. Dois homens foram autuados em flagrante e um adolescente encaminhado à Febem. Duas mulheres, que podem estar relacionadas com o crime, foram incluídas como "averiguadas", mas foram liberadas pela polícia. O empresário foi seqüestrado por dois homens, na noite de quarta-feira, por volta de 22 horas, enquanto aguardava abertura de semáforo, na Av. Engenheiro Caetano Álvares, às 22 horas de quarta-feira.Em posse de seus cartões de crédito a quadrilha efetuou várias compras - um televisor de 34 polegadas, um DVD, roupas, aparelho celular e tintas para pintar paredes, entre outras -, além de retirar R$ 2 mil. Com a cabeça coberta o refém percebia que, de tempo em tempo, seus guadiães se revezavam. Tratando-o de "tiozinho" todos conversavam com ele, enquanto usavam drogas, e diziam que ele seria libertado. Acredita que foram cinco homens e três mulheres.Uma casualidade levou à libertação da vítima. Policiais supeitaram de um casal e um adolescente que estavam em um carro Gol cinza, em frente à sede do 72.º DP - Parque Tietê, na Avenida Deputado Cantídio Sampaio. Ao abordá-los, não encontraram armas, mas os três estavam em posse de cartões de crédito em nome de Luiz Alcântara da Silva. Interrogados, levaram a polícia até a casa onde ele estava.O Gol prentence a uma mulher, cujo primeiro nome é Aldenir. Contatada, ela negou qualquer conhecimento dos fatos, mas admite que o veículo é utilizado por seu marido, Renie da Silva Amarante, de 23 anos, que a polícia acabou localizando na Avenida Inajar de Souza. Apontado como chefe da quadrilha, ele e Carlos foram reconhecidos pelo empresário como sendo os dois que o seqüestraram.Não há provas do envolvimento de Tatiane e Aldenir no crime, por isso elas não ficaram presas. A polícia ainda terá que deter os demais integrantes da quadrilha e localizar a BMW do empresário, que já pode ter sido entregue a um receptador. O tipo de sequestro praticado é uma nova modalidade, em que os criminosos, além de usarem cartões de crédito e bancários da vítima, exigem de seus familiares resgates não muito altos. No caso de Alcântara, esse contato ainda não tinha sido feito e por isso há suspeita que os criminosos tinham planejado executá-lo.

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