Polícia mapeia a violência em Campinas

A maioria dos assassinatos de Campinas, no interior paulista, ocorre perto de favelas e ocupações, nos finais de semana, entre 18 e 6 horas. Das vítimas, 35% têm entre 25 e 35 anos, 97% são homens e 40% apresentam antecedentes criminais. As informações compõem um levantamento inédito feito pela Polícia Militar de Campinas, durante o atendimento às ocorrências.Os PM foram orientados a preencher um questionário com informações sobre a vítima e o ambiente, ainda no local do crime. O questionário, elaborado por um grupo de trabalho da PM coordenado pelo major Israel Pilmon Barros, pretende mapear as áreas de risco, definir o perfil dosassassinados e criar estratégias de prevenção.A pesquisa teve início em março deste ano e abrange até quinta-feira da semana passada, com 205 homicídios. Os dados ainda são parciais e o levantamento será concluído no final do primeiro semestre. O major explicou que a PM atua em parceria com o Departamento de Homicídiosda Polícia Civil de Campinas para obter informações complementares. O estudo revelou que 25% dos assassinados têm mais de 36 anos e 5% entre 11 e 17 anos. Nos sábados são registrados, em média, 25% dos homicídios, seguidos de sextas-feiras e sábados, com cerca de 15% cada.A menor média, de 5%, refere-se às quintas-feiras. Armas de fogo são usadas em 90% dos casos. O horário de maior incidência de homicídios é entre 22 horas e meia-noite, com 21% dos casos. Das 18 às 22 horas ocorrem 18% das mortes e da meia-noite às seis, 17%, com predominância da meia-noite às 3 horas. Em 45% dos registros as vítimas estavam em vias públicas, 15% em residências e 5% em terrenos baldios. Do total dos assassinatos, 35% ocorreram próximos às favelas e áreas de invasão e 25% perto de botecos irregulares.Barros disse que há casos em que o homicídio acontece no hospital, mas eles representam menos de 5% das ocorrências. Ele afirmou que o fato de 40% das vítimas analisadas terem passagem pela polícia não quer dizer que o restante não tenha envolvimento com crimes. ?Essas pessoas geralmente vivem em ambientes hostis. Na verdade, o que mais nos interessa é o perfil dos assassinados, as pessoas que podem ser vítimas potenciais, e elas se concentram basicamente na periferia?, disse o policial.Segundo o major, uma das mais importantes revelações da pesquisa é derrubar o mito de que a população em geral pode ser vítima de homicídio em Campinas. Ele afirmou que neste ano ocorreram três latrocínios confirmados, em inquéritos já concluídos, na cidade. ?Os latrocínios são pontuais, em locais em que não é possível prevê-los?, afirmou.Entre as áreas de maior risco em Campinas, conforme o levantamento da PM, estão os bairros Satélite Íris, Jardim Florence, São Marcos, Jardim Santa Mônica e Jardim Campineiro. Ao mesmo tempo em que coleta dados, a PM já trabalha para atuar nas áreas identificadas como derisco. ?É um trabalho científico para combate localizado e imediato à violência?, afirmou Barros. O major revelou que o efetivo das equipes que trabalham nos finais de semana à noite foi reforçado depois de constatado que esse é o momento em que ocorrem mais mortes. Segundo ele, a PM vem adotando flexibilização de horários para acompanhar as estatísticas. ?Temos que estar no local e no horário certos?, disse. O major garantiu que as medidas têm surtido efeito. Citou o número de assassinatos do final de semana passado como exemplo. Foram três em Campinas. ?Houve época em que registrávamos 17 casos na cidade?, afirmou Barros. Mas ele preferiu não entrar em detalhes sobre as causas dos homicídios. ?Nossa função é mapeá-los para tentar combatê-los?, disse. Segundo o PM, a redução do número de assassinatos influencia em outras ocorrências policiais, que também diminuem. De acordo com o PM, no primeiro trimestre deste ano os casos de roubos e furtos em Campinas caíram 26%, conforme dados da Secretaria Estadual de Segurança. Noano passado, foram registrados 667 homicídios em Campinas. Com o estudo, a PM de Campinas se antecipou ao Infocrim, sistema de inteligência das polícias estaduais, informatizado e baseado em estatísticas, prometido pelo governo do Estado paraagosto, mas adiado para outubro ou novembro. Campinas será a segunda cidade do Estado, depois da capital, a dispor do serviço, adiado, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, porcausa das licitações para compra de equipamentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.