Polícia mata maior traficante de cocaína do Rio

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol foi morto em ação no Morro de São Carlos, zona norte; 20 homens participaram da operação

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo

23 de março de 2010 | 19h44

Apontado como o maior distribuidor de cocaína do Rio, Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, de 37 anos, morreu descalço e sem camisa em uma escada do Morro do São Carlos, no Estácio, na zona norte do Rio. Uma incursão de 20 homens da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil entrou nesta terça-feira, 23, na favela, por volta das 6h, dentro de um carro blindado, o "caveirão". Em dez minutos, o traficante foi encontrado. Roupinol reagiu e saiu da casa após atirar uma granada nos policiais. Ele correu, mas morreu baleado no ombro esquerdo e no pescoço.

 

"Ele era objeto de investigação das polícias Civil e Federal há cinco anos como o principal distribuidor de cocaína no estado do Rio. Oriundo do Norte do Estado, de Macaé, havia 28 mandados de prisão contra ele", disse o delegado Rodrigo Oliveira, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, que acompanhou a operação.

 

A polícia usou apenas 20 homens para evitar o vazamento da operação. O traficante usava um cinturão com quatro granadas. Um agente da Core ficou levemente ferido por estilhaços após ele jogar um dos artefatos contra os policiais. Roupinol estava com uma pistola Glock, calibre 9 mm, três carregadores e dois celulares. O delegado informou que os policiais trocaram tiros com seis homens que cercavam a casa e seriam seguranças do criminoso. Todos escaparam após a morte do chefe. Vários tiroteios ocorreram em pontos diferentes da favela entre traficantes e equipes de apoio da Core. Traficantes armados impediam a entrada de jornalistas no morro. Dois helicópteros blindados da Polícia Civil apoiaram a saída dos 20 homens da Core do local. A casa onde Roupinol foi encontrado fica a poucos metros da sede do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Polícia Militar no morro.

 

O traficante era fornecedor de cocaína para a Rocinha, em São Conrado, na zona sul, onde também se refugiava. De acordo com a polícia ele negociava diretamente com traficantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), um dos principais fornecedores de cocaína para as quadrilhas cariocas. Entre vários inquéritos em que é citado, em um deles Roupinol é apontado como o mandante da morte dos três jovens sequestrados por uma guarnição do Exército e entregues a traficantes do Morro da Mineira, em junho de 2008.

 

Na cidade de Macaé, onde o traficante nasceu, o comércio fechou em três bairros. No Rio, a PM baseou algumas patrulhas nos acesos dos morros de São Carlos, da Mineira, do Zinco e do Querosene, que eram controlados por Roupinol. Segundo investigação da Polícia Federal , ele chegou a controlar 150 homens. Em maio de 2009, a PF prendeu parte do seu grupo e estourou uma refinaria de cocaína em Conceição de Macabu, no interior do Estado, e apreendeu 20 quilos de cocaína e 30 armas. No carnaval, a corporação prendeu Erialdo Rodrigues Saraiva, o "Janete", um dos principais homens da quadrilha.

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