Polícia Militar também investiga morte de Ubiratan

Oficiais da Polícia Militar ligados ao coronel Ubiratan Guimarães estão insatisfeitos com as investigações do assassinato do colega, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Por isso, o serviço reservado da PM faz uma apuração paralela para ajudar a esclarecer o caso o mais rápido possível. Policiais militares já descobriram, por exemplo, que Ubiratan havia tido uma amante no prédio onde morava e foi morto a tiro. Ela se mudou há dois meses.Um assessor parlamentar da Assembléia Legislativa, oficial da PM, disse que o DHPP deveria, logo após o encontro do corpo de Ubiratan, na noite de domingo, realizar buscas na casa de Carla Cepollina, 39 anos, namorada do coronel. Ela foi a última pessoa a ser vista saindo do apartamento dele, na Rua José Maria Lisboa, Jardins, Zona Sul, na noite de sábado. O assessor acrescentou que o DHPP também deveria ouvir, formalmente, na noite de domingo, porteiros, funcionários e moradores do prédio onde ocorreu o crime.Segundo o assessor, o serviço reservado da PM investiga o assassinato não só para ajudar o DHPP, mas porque o coronel, mesmo na reserva, era militar e trabalhava com outros militares. Outro coronel da reserva que era amigo íntimo de Ubiratan e almoçava com ele às sextas-feiras também confirmou a investigação paralela feita por PMs.O coronel acredita, no entanto, que esses trabalhos poderão não avançar porque dependerão de laudos periciais. ´O objetivo dessa apuração paralela, iniciada por causa da morosidade do DHPP, não é atropelar as investigações oficiais da Polícia Civil, mas sim para ajudar a esclarecer o caso e prezar a lealdade que Ubiratan sempre teve com a PM´, argumentou.O mesmo coronel contou que tinha uma relação de amizade com o deputado estadual Ubiratan Guimarães (PTB), independentemente da farda. ´Éramos muito amigos. Não vamos esbarrar no trabalho do DHPP e tenho certeza de que nos próximos dias já saberemos quem foi o responsável pelo crime e será impossível não pedir a prisão dessa pessoa´, concluiu o coronel.Na noite de domingo, policiais civis do 78º DP foram os primeiros a entrar no apartamento de Ubiratan Guimarães. Mas, por determinação da Delegacia Geral de Polícia, o DHPP ficou responsável pelas investigações. Um policial que esteve no local do crime contou que no imóvel não havia sinais de luta nem de arrombamento.O policial disse ainda que a porta da cozinha tem quatro ferrolhos e estava destrancada. Ele ouviu de um porteiro que uma das maiores preocupações de Ubiratan era se certificar, antes de dormir, que a porta da cozinha estava trancada. Segundo o mesmo policial, havia um copo vazio na pia, com sementes de fruta amarela, semelhantes às de maracujá, e outro copo sobre o criado-mudo.O apartamento estava em ordem. No quarto do coronel, o edredom estava esticado na cama, mas o lençol, amassado, como se tivesse sido mexido. As roupas estavam penduradas no varal da lavanderia.O porteiro contou ainda ao policial que o coronel havia tido uma amante no mesmo prédio e que ela se mudou há dois meses por causa do ciúme de Carla. Ele disse ainda que ouviu o barulho de um tiro por volta das 19h de sábado. Também relatou que, além de Carla Cepollina, não viu ninguém entrar ou sair do apartamento de Ubiratan.O policial apurou ainda que Carla deveria almoçar com o namorado no domingo. ´Ela demonstrou que não estranhou a ausência dele. Mas os assessores ficaram preocupados. Ela deu a chave do apartamento de Ubiratan para eles, mas não quis ir até lá para saber o que tinha acontecido. Isso é estranho´, completou o policial.

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