Polícia mineira apura uso de bebê como oferenda religiosa

A Polícia Civil de Minas Gerais apura a hipótese de a promotora de vendas Simone Cassiano da Silva, de 27 anos, ter jogado a filha de dois meses na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, como parte de um "trabalho" iniciado em um terreiro de umbanda. Em depoimento ao delegado Hélcio Bernardes, do 16º Distrito Policial, o cabo reformado José Resende Filho, de 55 anos, ex-namorado da promotora de vendas, disse que Simone freqüentava a religião afro-brasileira desde os 15 anos. A informação foi confirmada pelo centro de umbanda, no bairro Itapuã, também na Pampulha. O militar já havia acusado a promotora de vendas de ter tentado matá-lo três vezes. "Ele (Resende) nos disse que Simone freqüentava esse centro de umbanda desde os 15 anos e fazia "trabalhos". Segundo ele, possivelmente a criança deve ter sido jogada nas águas para ser oferecida a Iemanjá. Mas isso é apenas mais uma linha de investigação. Vamos continuar trabalhando", afirma o delegado, ressaltando que vai procurar dois taxistas que transportaram Simone no sábado. Quinta-feira é dia de Iemanjá. O bebê foi jogado nas águas da Pampulha no sábado passado. Estava em um saco plástico, que boiava com o auxílio de um pedaço de madeira, assim como as oferendas devem ser ofertadas a Iemanjá. Por determinação da Justiça, o registro provisório da criança foi feito. O bebê se chamará Letícia Maria Cassiano, mas o nome poderá ser mudado por quem tiver sua guarda definitiva. A determinação foi da juíza substituta Neuza Maria Guido do Juizado da Infância e da Juventude de Belo Horizonte. Apesar do interesse de várias famílias em adotar o bebê, a preferência é dos familiares. Gerson Reis Júnior, de 57 anos, atual companheiro de Simone, manifestou interesse de ficar com o bebê.

Agencia Estado,

01 Fevereiro 2006 | 19h29

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