Polícia muda para manter DP aberto

Objetivo é remanejar 500 delegados na região metropolitana e abrir todas as delegacias que hoje fecham à noite

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 00h00

Um megarremanejamento de delegados dará início ao mais ambicioso plano da atual gestão da Polícia Civil para recuperar os plantões dos distritos policiais de São Paulo e dos demais municípios da região metropolitana. O objetivo é abrir todas as delegacias que hoje fecham à noite e contar com cinco equipes de plantão, todas com delegados, nos DPs. Nenhum delegado vai responder por mais de um plantão policial, como ocorria em 23 distritos da capital em que a autoridade policial era encarregada, à noite, de atender a dois DPs.Ao todo, a idéia do delegado-geral Maurício José Lemos Freire é remanejar 500 delegados - cerca de 15% do total do Estado. Uma parte sairá de outros setores para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e para o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro). Outros serão remanejados internamente nos departamentos. Haverá ainda a designação de 204 novos delegados que se formam neste mês na Academia de Polícia.Hoje existe um déficit de 195 delegados só no Decap, que conta com 487 delegados - o Demacro tem 370. Com as transferências e as nomeações dos novos delegados, a direção do Decap espera resolver o problema. "Nossa idéia é que o plantão policial seja o lugar mais valorizado da polícia", disse o diretor do Decap, Aldo Galiano Junior.Ao fortalecer os plantões policiais, dando-lhes o número de delegados que eles originalmente deveriam ter, a idéia da Delegacia Geral é aumentar a eficiência no registro dos casos e na apuração dos crimes, além de diminuir o tempo para o registro de uma ocorrência nos plantões. Depois dos delegados, será a vez do remanejamento dos escrivães e dos investigadores paulista. "Aí vai reduzir sensivelmente o tempo de permanência numa delegacia para o registro de um crime", afirmou Freire.O déficit de delegados se agravou nos últimos anos na Polícia Civil e havia levado à direção do Decap a instituir alternativas como as centrais regionais de flagrantes - idéia abandonada - e o delegado que fazia ronda nos distritos, que agora será sepultada. "A população pode ter certeza que vai encontrar um delegado descansado ao ir registrar um crime. Ela pode confiar na polícia." ESCLARECIMENTOSA Polícia Civil vai investir ainda na mudança dos registros de ocorrências para ter um controle efetivo do índice de esclarecimento de crimes em cada unidade policial, separando os delitos cuja autoria era desconhecida daqueles cujos autoria era conhecida desde o início. Hoje, o próprio delegado-geral diz que a Polícia Civil não tem um índice confiável de esclarecimentos de crimes para verificar a eficiência de seu trabalho. "Vamos levar aos 645 municípios o registro digital de ocorrências", afirmou Freire.Hoje, o Diário Oficial publica as primeiras 25 remoções de delegados para o Decap. Entre eles, há delegados que ocuparam cargos importantes neste e no último governo, como Ivaney Cayres de Souza, Massilon José Bernardes e Darci Sassi. Os três devem ocupar uma das novas Delegacias do Idoso.Alguns são considerados por colegas como integrantes de um grupo descontente com a atual gestão da Polícia Civil. Os três devem ser os primeiros de um grupo de delegados de classe especial - o topo da carreira - que serão mandados para as delegacias do idoso e de cartas precatórias existentes no Decap e no Demacro.O delegado-geral afirmou que a intenção é fazer todo mundo trabalhar. "Nenhum delegado vai ficar mais sem função. Todo mundo terá de trabalhar. Eles que façam um bom trabalho nas delegacias do idoso e convençam seus chefes de que podem ser aproveitados numa seccional", disse Freire.

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