Polícia não afasta medo de comerciantes no Rio

O reforço de 120 policiais militares não foi suficiente para afastar o clima de medo entre comerciantes da Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte, obrigados por traficantes a fechar as portas de suas lojas na segunda-feira. "Se mandarem, eu fecho de novo, mesmo com toda a polícia do Rio aqui", disse hoje a gerente da Fábrica de Óculos, Denise Tavares.De acordo com a Associação Comercial do bairro, o fechamento provocou um prejuízo médio de 70% do faturamento diário das lojas. O administrador regional da Tijuca, Carlos Alberto Nogueira, calcula a perda de R$ 1 milhão para cerca de 200 lojistas. "É a submissão total, é o terror. Me mandaram fechar a administração regional, e não fechei. Não podemos nos intimidar, precisamos exigir que a polícia exerça o seu papel." A presidente da Associação Comercial, Maria Ferreira Gouvêia, disse que muitos comerciantes temem que suas lojas sejam apedrejadas após as 22h, horário em que termina reforço de policiamento na praça, principal centro comercial da Tijuca. "A ordem precisa ser restabelecida. Quem tem que dar segurança é a polícia. Afinal, todos pagamos impostos."O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Murilo Lyra, disse que há "gente querendo causar pânico" e pediu a colaboração da população com denúncias sobre a ação de traficantes. "Desconheço a falta de confiabilidade na polícia. Não tenho como obrigar a abrir as lojas." Segundo ele, 120 homens faziam o policiamento da praça e de sete ruas adjacentes. No Morro do Salgueiro também houve reforço de 50 policiais, que revistavam moradores nos acessos da favela.Hoje as lojas abriram normalmente. Ontem a ordem para fechar partiu de traficantes do Morro do Salgueiro, em razão da morte de Ricardo Dias Lopes, o Máscara, em confronto com policiais, no sábado. Até uma agência do Banco Real fechou, sob a alegação de falta de segurança.Segundo o prefeito César Maia (PFL), problemas como o ocorrido na Tijuca continuarão se repetindo na cidade se o efetivo responsável pelo policiamento ostensivo não for duplicado.

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