Polícia não avança em investigações sobre repórter da Globo

A Polícia Civil vai requisitar à Rede Globo as fitas que já haviam sido gravadas pelo repórter Tim Lopes, de 51 anos, desaparecido desde a noite de domingo, quando fazia reportagem com uma microcâmera escondida sobre bailes funk promovidos por traficantes da favela Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte da cidade. O objetivo é tentar identificar pessoas suspeitas nas imagens gravadas em visitas anteriores do repórter à favela.Desde o início, as investigações ficaram concentrada na 22.ª DP e não em uma delegacia especializada, e não houve um pronunciamento sequer sobre o caso do Secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar, nem do chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira. A assessoria de imprensa da secretaria informa que Aguiar só falará sobre o assunto quando sair o resultado ? previsto para o fim da próxima semana ? do exame de DNA feito nos fragmentos de um corpo carbonizado que foram encontrados segunda-feira no alto do morro.O inspetor Daniel Gomes, hoje responsável pelas investigações, que disse já ter dado entrevista ?até para jornalista italiano?, afirma, baseado em denúncias anônimas, que Lopes teria sido confundido com um policial na favela. Também disse não acreditar ?nessa história de reportagem sobre baile funk?, informação divulgada pela Rede Globo. Para o inspetor, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, líder do ComandoVermelho mais procurado pela polícia, teria ordenado que o repórter fosse espancado e morto, depois que ele foi identificado. ?As evidências nos levam a crer que se trata dojornalista?, disse Gomes, referindo-se às cinzas encontradas na favela.Mais cauteloso, o delegado titular da 22.ª DP, Sérgio Falante, disse preferir esperar o resultado do exame de DNA. Já o titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), delegado Luiz Alberto Andrade, apresenta outra versão para o caso. Segundo ele, o repórter teria ?se dirigido à pessoa errada na favela?, procurando diretamente o gerente da boca de fumo, que teriadesconfiado de Lopes e descoberto a microcâmera. Em outra linha de investigação, o titular da Delegacia de Homicídios, Paulo Passos, apura a suspeita de que o motorista que deixou Lopes na favela estaria ajudando o repórter a conseguir uma entrevista como traficante Valdir Ferreira, o Vado.Nesta quarta-feira, a ação do Batalhão de Operações Especiais da PM na favela Nova Brasília, próxima da Vila Cruzeiro, para apurar uma denúncia de que o corpo de Lopes teria sido abandonado na mala de uma carro, partiu de informações passadas por jornalistas. Nada foi encontrado. No entanto, a governadora Benedita da Silva (PT) afirma que a políciaestá empenhada nas investigações. ?Um ato desses é condenável. Esperamos sempre o melhor, que ele apareça, assim espero, assim reza Deus?, disse ontem o arcebispo do Rio, dom Eusébio Scheid,referindo-se ao repórter.

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