Polícia não sabe quem matou adolescente em show

O vendedor ambulante Luiz Felipe do Paraná Fischer, de 17 anos, vendia cordões artesanais em frente ao Ginásio da Unicamp, onde acontecia uma apresentação do grupo Titãs, de quem o jovem era fã, quando foi atingido por um tiro. Ele morreu no local, logo após o início do show, no começo da madrugada. O tiro teria sido disparado por um dos seguranças do espetáculo. O delegado José Roberto Rocha Soares, do 7º Distrito Policial, onde foi registrada a ocorrência, disse hoje que ainda não tem informações sobre o autor dos disparos. Soares comentou que, além dos 18 seguranças externos contratados pela promotora do espetáculo, seguranças de duas guardas patrimoniais da Unicamp estavam no local. Hoje foram ouvidas sete pessoas no Distrito. A polícia teria apreendido uma pistola com um dos seguranças e cápsulas deflagradas no chão, mas ainda não tinha a comprovação de que os tiros haviam partido da arma. Soares não confirmou as informações.A confusão teve início porque um grupo de pessoas quis forçar a entrada no ginásio sem pagar. Os seguranças tentaram conter os invasores e ocorreram vários tiros. Pelo menos seis disparos foram ouvidos pelas cerca de seis mil pessoas que estavam no interior do ginásio, relatou um jovem de 22 anos que não quis se identificar. O rapaz denunciou outras irregularidades. Contou que uma amiga foi ferida na cabeça, atingida por uma garrafa de vidro, e que a bebida era comercializada em latas, proibidas por lei estadual que determina o uso de copos plásticos em eventos públicos. O jovem contou que várias pessoas se jogaram no chão durante os disparos. "É um absurdo que pessoas tenham sido obrigadas a se jogar no chão em um show dentro da Unicamp", lamentou. A banda chegou a interromper a apresentação, perguntou o que havia ocorrido, mas foi orientada pelos organizadores a prosseguir o espetáculo. O show foi promovido pela empresa Queops, Quefren e Miquerinos Musics Produções, instalada em Mauá, na Grande São Paulo. O dono da empresa, José Vicente Marum, não foi localizado pela reportagem.A assessoria de imprensa da Unicamp informou, por meio de nota pública hoje à tarde, que a segurança do show é de responsabilidade da empresa, conforme contrato assinado, "cabendo-lhe responder civil e moralmente por ocorrências que envolvam terceiros". Ainda segundo a nota, os vigilantes da Unicamp atuam desarmados. A assessoria informou também que o ginásio tem alvará para abrigar shows para até 10,4 mil pessoas, mas teve sua capacidade limitada, pela própria Unicamp, a apenas 8,5 mil. A Reitoria, conforme a assessoria, está analisando uma política de uso do ginásio, que prevê resgatar sua proposta original para práticas esportivas, cancelada há sete anos porque a quadra precisa de reformas.

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