Polícia não tem pistas de assassino de casal em SP

Os vizinhos ouviram meia dúzia de tiros. Pouco depois, o motorista de um deles subiu no muro dacasa de três andares, no número 383 da Rua Atibaia, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Pela porta aberta da cozinha, pôde ver o corpo ensangüentado de Alessandra de Fátima Troitiño, de 33 anos, e chamou a polícia. A mulher, que estava com as pernas para fora da casa, havia levado quatro tiros à queima-roupa, que lhe acertaram rosto, crânio e costas. Passando pela cozinha, os investigadores chegaram à sala de vídeo, cuja porta fora arrombada. Ali estava morto, com seis tiros na cabeça e no pescoço, o publicitário Luiz Carlos Rugais, de 40, marido deAlessandra. Eram 22h30 de domingo. Nenhum sinal do assassino, que deixou para trás poucas pistas.Os peritos do Instituto de Criminalísticaencontraram seis fragmentos de impressões digitais na casa, além de quatro estojos de cartuchos disparados, de calibre 380 (semelhante ao de 9 mílimetros). Uma vingança, um roubo ou umcrime encomendado? A polícia não sabe.Existem algumas suspeitas, no entanto. A primeira é a possibilidade de Alessandra ter aberto a porta para o assassino. Isso explicaria a absoluta falta de sinais de arrombamento deportas e janelas externas. "Também não foi constatado o roubo de nenhum objeto", disse o delegado Mauro Argachoff, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Ninguém foi visto deixando a casa pela frente, na Rua Atibaia. Os fundos ficam na Rua Traipu, onde há uma garagem.Outra hipótese apurada pela polícia é a de opublicitário ter tentado se refugiar na sala de vídeo, o que levara o assassino a arrombá-la. Os investigadores ainda querem saber por que só havia quatro estojos de calibre 380 no chão.Como os tiros foram dez, seria natural achar dez estojos disparados. Isso é importante para determinar quantas armas foram usadas - se apenas a pistola ou também um revólver. Nenhuma foi apreendida.Maconha - No sótão da casa, os investigadores encontraram 300 gramas de maconha, que estavam separados em tabletes dentro de sacos plásticos. Os policiais acharam ainda uma mancha de sangue na sala de ginástica da casa e apreenderam o computador pessoal de Alessandra. O aparelho também era usado por Rugais para as finanças da produtora.O publicitário tinha dois filhos do primeiro casamento: Leonardo, de 19 anos, e Gil Grecco, de 20. Este último teria ido morar com a mãe na semana passada, após uma discussão com o pai- o irmão já morava com a mãe. Rugais e Alessandra estavam casados havia 13 anos e nãotinham filhos. Eles moravam no térreo. Os outros dois andares do imóvel eram ocupados pela produtora do publicitário, a Referência Filmes. Alessandra era atendente na empresa, que recentemente trabalhou na campanha da Fundação Zoológico de São Paulo para atrair visitantes. Atualmente, o maior cliente da produtora é arede de lojas Marabraz. A Referência trabalhou ainda para Ford, Óleos Maria, Melagrião, Brasil 2000, Drogão e Sadol, entre outros. A empresa surgiu há cerca de 15 anos, na Rua Caiubi,perto da mansão que ocupa na Rua Atibaia.

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