Polícia não tem pistas do matador de líder dos garimpeiros

A polícia do sul do Pará ainda não tem qualquer pista do homem que matou a tiros, na madrugada de domingo, o presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Curionópolis, Antonio Clênio Cunha Lemos. O delegado Francisco Eli, que investiga o caso, informou que o pistoleiro pode estar escondido na própriaregião, embora não descarte a possibilidade de ele ter fugido doEstado. Uma denúncia anônima, feita à Polícia Militar deCurionópolis, dizia que o criminoso havia saído da região no trem de passageiros que faz a rota entre o Pará e o Maranhão. A líder da Federação dos Garimpeiros da Amazônia, Jane Rezende, pediu nesta segunda-feira ao secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, o afastamento de Francisco Eli das investigações, alegando que ele estaria beneficiando o ex-agente do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e atual prefeito de Curionópolis pelo PMDB, Sebastião Curió. Dias antes de morrer, Lemos espalhou pela cidade que se alguma coisa de ruim lhe acontecesse, a responsabilidade seria de Curió, que o teria ameaçado de morte. Curió nega qualquer participação no assassinato, afirmando que Lemos tinha vários inimigose que estaria envolvido na morte, ano passado, de dois garimpeiros associados da Cooperativa dos Moradores e Garimpeiros de Serra Pelada (Coomgasp). Na noite do crime, o sindicalista estava acordado, trabalhando na conclusão de um relatório sobre todos os garimpeiros que teriam legalmente o direito de voltar à mina de Serra Pelada, distante 35 de Curionópolis. O relatório seria entregue pessoalmente por Lemos nesta terça-feira, 19, aos integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, durante visitaao garimpo de Serra Pelada. Dolares Souza, dona do imóvel onde funciona a sede do sindicato e vizinha, conta que ouviu os tiros, mas evitou abrir a porta da casa. Ela disse que as balas perfuraram a parede do quarto de seu filho menor, que dormia. "Por pouco o menino não foi atingido", acrescentou Dolores, uma das primeiras pessoas a socorrer osindicalista. "Infelizmente ele já estava morto". O coronel Araújo, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar de Marabá, esteve nos acampamentos dos seis mil garimpeiros ligados aos grupos de Lemos, Curió e Luíz da Mata. O climaentre as três facções é de hostilidade. Araújo preparou um relatório no qual admite a possibilidade de confronto entre os grupos pelo direito de entrar no garimpo.

Agencia Estado,

18 de novembro de 2002 | 16h30

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