Polícia não transfere presa doente, e ela morre na cadeia

Diretor de presídio descumpre ordem judicial; detenta tinha problemas cardíacos e estava em cela superlotada

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

A presa Gerlândia Maria Nunes Tavares, de 37 anos, portadora de Doença de Chagas e de problemas cardíacos, morreu na madrugada de ontem por falta de atendimento médico dentro da Cadeia Pública de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Ela estava numa cela superlotada. A juíza Daniela Meneghine Conceição havia determinado, em 29 de junho, a sua transferência para um hospital. A ordem judicial não foi cumprida.O ofício 696/07, expedido pela juíza, determinando a remoção da presa, foi encaminhado ao delegado e diretor da Cadeia Pública de Ubatuba, José Eduardo Cembranelli. No documento, Daniela Conceição solicita a transferência de Gerlândia porque ela é portadora de Doença de Chagas. Além disso, a presa tinha outras complicações cardíacas. A juíza também havia solicitado ao diretor da cadeia o laudo médico com o resultado do ecocardiograma.Na resposta ao pedido, Cembranelli alega que o exame não foi feito porque a prefeitura não tinha o aparelho e a presa não dispunha de recursos para pagar as despesas. Um trecho do ofício assinado pelo diretor da cadeia e enviado à juíza diz: ''''Em atenção aos termos do ofício, informo à vossa senhoria que o laudo não foi fornecido pelo médico, que aguarda resultado do ecocardiograma, sendo que o mesmo não foi realizado, pois a Secretaria de Saúde da prefeitura de Ubatuba não dispõe do aparelho, e a ré é carente e não tem recursos financeiros para pagar o exame. Para vosso conhecimento e providências''''.Na madrugada de ontem, Gerlândia passou mal. Ela estava numa cela com outras 40 presas - a capacidade é de 24. A detenta sentiu dores no peito. As colegas gritaram por socorro, mas não havia médico na carceragem.O advogado Benedicto Marcos Ferreira, de 68 anos, era o defensor de Gerlândia. Ele disse que vai processar o Estado por danos morais e materiais. A presa era viúva e deixou um filho, que mora com a avó, em Fortaleza.Gerlândia foi presa em flagrante sob a acusação de tráfico de drogas, em 23 de janeiro deste ano. Segundo a polícia, ela portava 12 gramas de cocaína e 8 gramas de maconha. Um adolescente estava com ela e também foi detido.Ferreira disse que Gerlândia, embora estivesse presa desde janeiro deste ano, ainda não havia sido julgada. A Promotoria ofereceu denúncia contra a detenta em 30 de janeiro de 2007.

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