Polícia ouve jornalista que sofreu atentado no DF

Governador visita repórter e diz que região do Entorno está ?dominada pelo crime organizado?

Sônia Filgueiras, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2022 | 00h00

A Polícia Civil do Distrito Federal tomou ontem o depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Jr, repórter especial do Correio Braziliense, baleado na quarta-feira na Cidade Ocidental (GO), a 48 quilômetros de Brasília. Os investigadores trabalham na identificação dos suspeitos de envolvimento no crime, que ainda estariam na região. A polícia do DF trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido um atentado, motivado pelas reportagens que o jornalista produzia. Ribeiro Jr. trabalhava em uma série de textos sobre o aumento do tráfico e da violência na região conhecida como Entorno de Brasília, composta por dezenas de cidades e assentamentos pobres e densamente povoados nas fronteiras do DF com Goiás. Segundo testemunhas, ele aguardava um informante em um bar quando chegou o agressor: um rapaz encapuzado com um revólver calibre 38, que se dirigiu imediatamente ao jornalista e disparou pelo menos dois tiros, fugindo em seguida. Uma das balas atingiu Ribeiro Jr. na região próxima da virilha, atravessou o corpo e se alojou em sua coxa. Ele ainda está hospitalizado, mas passa bem e deve receber alta nos próximos dias. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que visitou Ribeiro Jr. ontem no hospital, declarou que a região do Entorno "está dominada pelo crime organizado". Arruda vem defendendo o reforço da segurança na área, em um debate que já rendeu desgastes com integrantes do governo de Goiás. De acordo com informações da Polícia Federal, o tráfico de drogas vem crescendo. Nos últimos dois anos, o volume de drogas apreendido na região dobrou: de 196 quilos em 2006 para 447 quilos até setembro deste ano. Na próxima semana, o Ministério da Justiça definirá o número de soldados da Força Nacional destacados para melhorar o policiamento na região. A previsão é de que sejam deslocados para o Entorno de 400 a 500 homens, entre integrantes da força e policiais locais. O Ministério da Justiça se comprometeu a liberar R$ 27 milhões para o governo de Goiás, o que permitirá a construção de um novo presídio e a reforma de cadeias já existentes. O objetivo é criar 800 novas vagas no sistema penitenciário local. A pedido de Arruda, a Polícia Federal entrou no caso. A PF investiga a suposta ligação das quadrilhas locais com o narcotráfico internacional. De acordo com dados da União, parte da cocaína apreendida no Distrito Federal seria procedente da Bolívia. Investigações também apontam que o DF vem funcionando como um entreposto para distribuição da droga para o Nordeste do País. Anteontem, a Sociedade Americana de Imprensa (SIP) condenou o atentado e pediu agilidade nas investigações. Segundo a entidade Repórteres Sem Fronteiras, o Brasil ocupa a 75.ª posição no ranking de respeito à liberdade de imprensa. Em primeiro lugar está a Finlândia; em último, na 168.ª posição, está a Coréia do Norte. No ano passado, 110 jornalistas foram mortos no mundo, o número mais alto em 12 anos.

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