Polícia ouvirá soldados de novo; ladrão morre

Os quatro policiais militares envolvidos na perseguição a um carro roubado que resultou na morte de Luiz Carlos da Soares da Costa, na segunda-feira, serão chamados para prestar novos depoimentos na 17ª Delegacia de Polícia. O delegado José de Moraes Ferreira quer saber por que eles mentiram sobre a localização da arma do assaltante Jefferson dos Santos Leal, de 18 anos - que morreu ontem. Na primeira versão, eles afirmaram que a pistola estava dentro do carro, sob os pés do carona. No entanto, imagens do SBT entregues ontem ao delegado mostram que a arma foi encontrada do lado de fora do carro. Ferreira afirmou também que "há perda considerável" na perícia porque os PMs desfizeram o local do crime, ao tirar o carro da via. Jefferson abordou Costa na Avenida Leopoldo Bulhões quando ele ia para casa em seu Siena e o obrigou a sentar-se no banco do carona. Segundo os PMs, o criminoso acelerou para fugir. Eles disseram que atiraram apenas depois de o criminoso disparar contra a viatura - que foi atingida por dois tiros. O Siena do administrador tinha dez perfurações. Os policiais entregaram à delegacia os três fuzis que teriam usado. Caso o laudo técnico comprove que havia tiros de pistola no Siena, o delegado vai requisitar as pistolas dos PMs. O delegado disse que não há por que duvidar dos PMs. Se a investigação se mantivesse nessa linha, a tendência seria indiciar o assaltante por latrocínio (roubo seguido de morte) e tentativa de homicídio contra os PMs. Com a morte dele, o inquérito é encerrado. Mas o delegado não descarta a possibilidade de a investigação erros dos PMs - aí, eles podem ser indiciados por homicídio culposo (sem intenção). Os dois frentistas do posto em frente ao local onde o carro foi abordado disseram que não viram nada porque se assustaram e correram para se esconder.

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2008 | 00h00

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