Polícia Pacificadora ocupará em definitivo 2 favelas rivais

Moradores de Chapéu Mangueira e Babilônia aprovam medida, mas pedem apoio social

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

Envolvidos em uma longa disputa por pontos de venda de drogas, os morros do Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, na zona sul do Rio, serão ocupados em definitivo pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ontem, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do 19º Batalhão de Polícia Militar entraram no quinto dia de ocupação ostensiva à procura de armas e drogas. Ainda não há data para a inauguração da UPP, mas o prédio que abrigará a unidade no alto do morro já está pronto."A situação está sob controle e a comunidade está tranquila", disse o comandante do 19º Batalhão de PM, Edson Almeida. Com o anúncio da ocupação, os traficantes deixaram a favela. Durante uma varredura realizada pelo Bope, no domingo, foram encontradas 31 trouxinhas de maconha em um depósito clandestino. As duas favelas estão localizadas em morros vizinhos e podem ser acessadas pela Ladeira Ary Barroso. A bela vista do mar e dos bairros do Leme e de Copacabana fez o Morro da Babilônia servir de cenário para vários filmes, desde Orfeu Negro, de Marcel Camus, em 1959, até o premiado Tropa de Elite (2007). A Favela Chapéu Mangueira é menor e mais próxima dos prédios do Leme.Há um ano, um tiroteio iniciou a disputa pelos pontos drogas entre duas facções criminosas. Alguns tiros atingiram apartamentos no Leme e dois traficantes foram presos. Os confrontos "dividiram" as favelas em duas quadrilhas.Os moradores das favelas apoiam a ocupação, mas aguardam as melhorias sociais. "Precisamos de água, saneamento e iluminação", afirma a dona de casa Glória Regina Souza, de 59 anos, que mora próximo do alto do Morro da Babilônia, na localidade de Vila Sossego.Na casa abaixo dela mora a economista e tradutora alemã Isabell Erdmann, de 34 anos, que reside há quatro na favela, onde paga R$ 400 pelo aluguel. "Vim para cá por problemas financeiros e encontrei a felicidade novamente por causa da solidariedade das pessoas, mas a falta de luz é constante e já ficamos três dias sem água", afirma Isabell. Ela conta que tem pronto um projeto para dar aulas de inglês na comunidade, mas não conseguiu apoio financeiro.O local onde as duas moram fica próximo da Área de Proteção Ambiental (APA) onde o Estado estuda erguer um muro para evitar a construção de barracos em áreas protegidas. Moradores no morro e no asfalto condenam a ideia. "Muro é segregação. Uma cerca é o suficiente para que as pessoas respeitem a APA. O Estado e a prefeitura devem trazer projetos sociais e cursos profissionalizantes, caso contrário, a ocupação pode aumentar os crimes no asfalto", afirmou o presidente da Associação dos Moradores do Leme, Francisco Chagas Nunes.

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