Polícia pede acesso a dados telefônicos de contadores

Antônio Carlos Atella Ferreira e Ademir Estevam Cabral são suspeitos de violar sigilo fiscal de Verônica Serra

Bruno Tavares, Fausto Macedo e Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2010 | 00h00

A Delegacia Seccional de Santo André requereu ontem à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos contadores Antônio Carlos Atella Ferreira e Ademir Estevam Cabral, principais suspeitos de violar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do presidenciável tucano José Serra.

O pedido se refere ao histórico de chamadas recebidas e efetuadas a partir de telefones fixos e celulares de ambos, relativo ao período de setembro a dezembro de 2009. O sigilo fiscal de Verônica foi indevidamente acessado em 30 de setembro na delegacia da Receita Federal em Santo André por meio de uma falsa procuração apresentada por Atella. Ele atribuiu a Cabral a produção do documento.

O delegado seccional José Emílio Pescarmona investiga os crimes de falsidade ideológica de uso de documento falso - o inquérito sobre a violação dos dados confidenciais de Verônica é conduzido pela Polícia Federal.

O objetivo de Pescarmona é confrontar as chamadas efetuadas e recebidas pelos contadores e, a partir disso, verificar se eles fizeram contato com outros eventuais envolvidos na trama. O delegado quer estabelecer quem era o principal interessado no sigilo fiscal de Verônica.

Atella será ouvido hoje cedo. Na semana passada, ao depor na Polícia Federal, ele admitiu ter protocolado na Receita o pedido de cópia das declarações de renda de Verônica dos exercícios de 2008 e 2009. Ele disse que seu parceiro, Cabral, foi quem lhe entregou pedido de cópias de 18 declarações de pessoas físicas. Segundo Atella, o nome da filha de Serra estaria nessa lista.

O delegado vai intimar Adeildda Ferreira Leão dos Santos, servidora do Serpro que acessou os dados de Verônica, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de Alexandre Bourgeois, genro de Serra. A polícia quer saber se Adeildda manteve contatos com Atella e Cabral.

A PF requereu a quebra de sigilo telefônico de Adeildda - segundo o Estado apurou, a Justiça Federal já deferiu o pedido. As informações serão entregues ao Ministério Público Federal. O computador da servidora também está sendo periciado.

O advogado dela, Marcelo Panzardi, afirma que Adeildda apenas "cumpriu ordens superiores". Segundo ele, a servidora do Serpro acessou as declarações sem verificar nomes, mas apenas os CPFs. Ele cobra responsabilidades de Antonia Aparecida Neves, analista tributária, chefe de Adeildda na agência do fisco em Mauá, na Grande São Paulo.

Tabelião. Fabio Tadeu Bisognin, titular do 16.º Tabelionato de São Paulo, depôs ontem durante uma hora para a Polícia Federal e afirmou que nenhum funcionário de seu cartório tem envolvimento com a falsificação da procuração em nome de Verônica. Para Bisognin, não há necessidade nem mesmo de perícia para comprovar a fraude.

Ele apontou pelo menos seis indícios de adulterações. "O tamanho e dizeres do carimbo, a assinatura da escrevente, a grafia do meu nome e o selo reutilizado", citou.

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