Polícia pede "lei seca" para reduzir crimes em Sorocaba

O comandante da Polícia Militar em Sorocaba, no interior paulista, tenente-coronel Washington Luiz Gaiotto, enviou hoje um ofício ao presidente da Câmara, vereador Moacir Luis de Oliveira (PSDB), propondo a aprovação de lei que obrigue os bares a fecharem mais cedo. A chamada "lei seca" contribuiria para reduzir índices de crimes como homicídios, lesões corporais, furtos e assaltos, segundo o policial.Ele citou pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) segundo a qual 48,3% dos homicídios registrados na capital ocorrem dentro de bares ou estabelecimentos do gênero.Gaiotto sugeriu a elaboração de um projeto de lei a ser discutido com os vereadores para restringir o horário de funcionamento noturno desses estabelecimentos. Ele deixou para os vereadores a decisão sobre a hora do fechamento.Levantamento informal realizado pela PM aponta relação entre os bares que funcionam até a madrugada e o índice de criminalidade nas regiões onde estão localizados. A sugestão do policial já foi discutida com os Conselhos Comunitários de Segurança Norte e Centro-Sul.O presidente do Conselho Norte, Francisco Russo, disse que a venda indiscriminada de bebidas alcoólicas contribui para os crimes, especialmente aqueles originados de desentendimentos como agressões e homicídios.O presidente da Câmara irá discutir a proposta com os demais vereadores. Ele disse que o Legislativo tem autonomia para decidir sobre o assunto, mas a prefeitura também deverá ser consultada.O presidente da Associação Comercial e Industrial de Sorocaba, Bráz Cassiolato, é a favor da antecipação no horário de fechamento, desde que restrita a bares. "Não devem ser incluídos na lei, por exemplo, os restaurantes e hotéis." Para ele, a criminalidade está relacionada com bares da periferia que limitam a atividade à venda de bebidas alcoólicas.As Câmaras de Mairinque e São Roque, cidades da região, estão discutindo propostas semelhantes. Em Boituva, a "lei seca" já vigora.

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