Polícia pede mais prazo para investigar desabamento

Um mês depois de acidente, 3 pessoas estão internadas e 2 casas seguem interditadas

Elvis Pereira e Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

19 Fevereiro 2009 | 00h00

Um mês depois do desabamento do teto da Igreja Renascer, no Cambuci, região central de São Paulo, o delegado titular da 1ª Delegacia Seccional, Dejar Gomes Neto, requereu a prorrogação do prazo para concluir o inquérito que investiga o acidente, que deixou 9 mortos e 103 feridos. A polícia já ouviu 92 pessoas. Três vítimas ainda não receberam alta.Evelise Del Corso, de 17 anos, que sofreu traumatismo craniano, está em pior situação. Internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Servidor Público Municipal, ela respira por aparelhos. Fábio Jodas, de 27 anos, que também teve traumatismo craniano, saiu da UTI na semana passada e está em um quarto do Hospital das Clínicas. Maria Sonia Nunes, de 50 anos, passou por uma cirurgia ortopédica no tornozelo e continua internada no Hospital São Paulo, sendo tratada com antibióticos.Das sete casas interditadas na vila da Rua Robertson, 319, duas não foram liberadas. "Minha casa está totalmente interditada. Além da edícula, nos fundos da casa, caiu um pedaço de reboco no quarto", diz o representante comercial Marassoré Morégola, de 67 anos. De acordo com a Subprefeitura da Sé, é necessário que se faça uma reforma para que as casas possam ser totalmente liberadas. As vistorias ocorreram há uma semana. Enquanto isso, Morégola e a mulher estão morando em um hotel na Aclimação (zona sul), cuja estada é paga pela Renascer.Já a família do engenheiro Davi Gomes, de 40 anos, voltou para casa na sexta-feira. Segundo ele, todos os contatos feitos com a Igreja foram verbais e, por enquanto, não se falou ainda em ressarcir os moradores. Os moradores da vila organizaram ontem, no Largo do Cambuci, um culto ecumênico com vários representantes religiosos do bairro. "Nossa intenção é de que não pareça que fazemos perseguição religiosa à Renascer", diz a enfermeira Soraya Ayub Morégola de Oliveira, de 44 anos. Os funcionários da Diez, empresa encarregada da demolição, ainda atuam na remoção do que restou do templo. A Renascer planeja reerguer sua sede no mesmo local. "No entanto, ainda é tudo muito recente e não há nenhum projeto", afirmou a Igreja, por meio de sua Assessoria de Imprensa. Questionada se os familiares de vítimas serão indenizados, a Renascer ressaltou que espera o resultado das investigações e "não é o momento para essa discussão".

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