Polícia pede perícia em carros da família

Advogado do pai da menina Isabella, morta no sábado, contesta as versões apresentadas por testemunhas

O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2008 | 00h00

Tudo o que a polícia fez no terceiro dia de investigações da morte da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, morta no sábado ao cair do sexto andar de seu prédio, foi investigar o casal Alexandre Alves Nardoni, de 29, e sua mulher, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24. Oficialmente, eles são chamados de "averiguados", mas as ações da polícia apontam que o casal é o principal foco da investigação. A polícia tem se ocupado em colher provas periciais para reforçar o inquérito. Os peritos criminais irão voltar ao apartamento da Rua Santa Leocádia, zona norte de São Paulo. Na busca por novos indícios, terão a ajuda de reagentes químicos. Os policiais querem verificar se há outros vestígios de sangue no lugar. As manchas de sangue encontradas no corredor da sala, no lençol e na tela de proteção da janela em que a garota teria sido jogada já estão sendo analisadas pelo Instituto de Criminalística (IC). Os dois veículos do casal - um Ford Ka e um Vectra - também serão submetidos a perícias. Ontem, seis pessoas prestaram depoimento no 9º Distrito (Carandiru), onde o caso está sendo investigado. Dois vizinhos do casal disseram ter ouvido gritos de "Pára, pai! Pára, pai!" momentos antes de o corpo de Isabella ser encontrado. "Eles não souberam dizer se a voz era da criança", explicou o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º Distrito. "Mas o tom dos gritos era de que o tal pai fazia algo errado." Os advogados de Nardoni, Ricardo Martins e Rogério de Souza, contestaram a versão apresentada pelas testemunhas. "A fala é interpretativa. A pessoa que está em situação de risco fala ?Pára!?, ?Pára!?, e chama o pai. ?Pai!?, ?Pára!?, ?Pai!?", disse aos berros Martins. O advogado afirmou também que Nardoni e a atual mulher, com quem tem dois filhos (um de 3 anos e outro de 10 meses), estão abalados com a morte de Isabella. "Todos são inocentes e irão provar. Dias antes do fato, Ana Carolina perdeu as chaves do apartamento. Posso provar que ela perdeu as chaves porque tenho uma testemunha que vai aparecer no momento oportuno", disse Martins. Outras quatro pessoas ouvidas ontem - moradores do prédio em que Nardoni e a mulher moraram por dois anos e meio antes de se mudarem para o atual edifício - contaram que o casal brigava constantemente. Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) ouvidos ontem pelo Estado disseram que há sinais no corpo da menina Isabella que sugerem uma tentativa de asfixia. Uma mancha no pulmão e no coração, dizem, é "compatível com sufocamento pela boca ou narina ou ainda esganadura". O fato de o exame de raio X ter mostrado apenas uma fratura na mão da garota não surpreendeu os legistas. Ossos de crianças costumam ser mais maleáveis do que os de adultos. Além disso, o gramado em que Isabella caiu, diante da portaria do edifício, pode ter amortecido a queda. A menina estava viva quando a fratura ocorreu. Algumas lesões na menina também são conflitantes com a versão do pai. "Há um hematoma na cabeça não compatível com a queda." Um pedaço da rede de proteção do quarto de onde Isabella caiu foi enviado ao IC. Os peritos querem saber se Isabella resistiu ao ser arremessada ou se estava inconsciente. Uma faca foi apreendida, pois se suspeita de que ela foi usada para cortar a tela. A mãe de Isabella, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23 anos, deve depor hoje no 9º DP. O pai e a madrasta da garota também devem voltar à delegacia, assim como a médica que atendeu Isabella. O delegado Calil Filho pediu ao Corpo de Bombeiros e à PM os registros das ligações feitas pelo casal e por moradores do prédio após a queda da menina. BRUNO TAVARES, LAURA DINIZ, VITOR HUGO BRANDALISE, MARCELO GODOY e CARINA FLOSI

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