Polícia pede prisão de 7 traficantes por chacina em Mesquita

Jovens foram assassinados na Baixada Fluminense no último final de semana

Antonio Pita - estadão.com.br,

12 de setembro de 2012 | 09h37

Texto atualizado às 17h07.

RIO DE JANEIRO - O delegado Júlio da Silva Filho, da 53.ª DP, pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva de sete pessoas ligadas ao comando do tráfico na favela da Chatuba, na Baixada Fluminense, entre eles Remilton Moura da Silva Junior, o "Juninho Cagão", apontado como líder.

Parentes de dois dos seis jovens assassinados supostamente por criminosos da favela foram nesta quarta-feira, 12, à delegacia para prestar depoimentos e reconhecer objetos apreendidos em operação policial, com o objetivo de tentar definir o local onde os seis foram mortos. Foi encontrado um túnel para fuga de traficantes na Chatuba.

O crime aconteceu no fim de semana e, de acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, 20 pessoas foram presas em uma ofensiva policial iniciada na terça-feira - 17 homens, duas mulheres e um adolescente.

Ocupação. Em resposta à execução de pelo menos oito pessoas no último fim de semana no município de Mesquita a Polícia Militar iniciou na madrugada de terça-feira, 11, a ocupação permanente da Favela da Chatuba, área dominada pelo tráfico. Os seis jovens assassinados foram sepultados em clima de comoção e revolta em um cemitério de Nilópolis, cidade vizinha onde eles moravam.

Desde a madrugada desta terça-feira, 250 policiais, dentre eles oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque, ocuparam a região onde aconteceram os crimes. No local, a Secretaria de Segurança determinou a implantação em caráter emergencial de uma Companhia Destacada da Polícia Militar, com 112 homens - trata-se de força policial de caráter permanente, com foco no policiamento ostensivo, modelo diferente daquele adotado desde o fim de 2008 em favelas da capital, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Durante todo o dia, policiais fizeram incursões pela favela em buscas dos assassinos e de traficantes. Foram encontrados cinco acampamentos numa região de mata fechada no alto do morro, onde foram apreendidos um gerador de alta capacidade e um fuzil de fabricação alemã. Também foram apreendidos cadernos de anotação da contabilidade do tráfico, drogas, munições, dois revólveres, granadas e R$ 28 mil em espécie.

Crime. Na tarde de sábado, 8, Christian Vieira, de 19 anos, Victor Hugo Costa, Douglas Ribeiro e Glauber Siqueira, de 17, Josias Searles e Patrick Machado, de 16, saíram de casa para um festival de pipas em uma cachoeira no Parque Natural de Gericinó, a quatro quilômetros da rua onde moravam, quando desapareceram.

A polícia investiga se há mais vítimas do mesmo grupo. O jovem José Aldecir da Silva Júnior está desaparecido desde a manhã de sábado. O pai do rapaz, José Aldecir da Silva, de 49 anos, disse que ouviu relatos de que o filho estaria andando na beira do rio no Parque Natural de Gericinó quando foi capturado por cerca de 20 homens. O garoto estaria acompanhando o pastor evangélico Alexandro Lima.

A oitava morte registrada em Mesquita foi do cadete da Polícia Militar Jorge Augusto de Souza Alves Júnior, de 34 anos. Ele foi encontrado com marcas de tiros e tortura no porta-malas do seu Fox, na manhã de sábado.

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