Polícia pede prisão de seis suspeitos de espancar chinês

Diante da conclusão do Instituto Médico Legal (IML) de que o comerciante chinês naturalizado brasileiro Chan Kim Chang, de 46 anos, morreu em conseqüência de espancamento, depois de chegar ao presídio estadual Ary Franco, o governo do Rio afastou a hipótese de autolesão e intensificou as investigações sobre a participação de agentespenitenciários no crime. Por determinação da governadora Rosinha Matheus, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de seis suspeitospor 30 dias. ?Não vamos compactuar com tortura no nosso governo. Minha orientação é punir quem quer que seja?, disse Rosinha.A Polícia Civil pediu ao Tribunal de Justiça a prisão de Everson Azevedo da Mota, Denis Gonçalves Monsores, Carlos Alberto de SouzaRodrigues, Ricardo Wagner Sarmento Alves, Ricardo Duarte Pires Valério e Raul Broglio Júnior. Os três primeiros estiveram na sede da Polícia Federal no Rio, onde prestaram depoimento à Delegacia de Ordem Política e Social. Como ainda não havia mandado de prisão contra eles, os agentes puderam deixar a PF em liberdade. O último a sair foi Denis, por volta das 21 horas, agachado no banco traseiro de um táxi. Os seis suspeitos e também o agente Carlos Luiz Correa foram afastados de suas funções.O delegado Marcelo Fernandes, da Corregedoria Interna da Polícia Civil, investiga o crime de homicídio qualificado, hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão. Policiais da Delegacia de Homicídios também trabalham no caso. O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, disse que, dependendo da apuração, o crime de tortura poderá ser adicionado ao de homicídio. O chefe da Polícia Civil informou que o objetivo é descobrir os motivos que levaram ao espancamento. ?Foi porque queriam a senha do cartão de crédito? Foi porque ele não quis ser fotografado? Isso vai ser esclarecido?, disse Lins. Segundo o coordenador do Disque-Denúncia, Zeca Borges, a informação mais consistente recebida pelo serviço até agora, embora anônima, revelou muitos detalhes sobre a tortura e confirma versão de que Chang foi espancado para revelar a senha do cartão de crédito, apreendido pela Polícia Federal com os US$ 30 mil, no aeroporto Tom Jobim.Cônsul _ Diante da gravidade do episódio, a governadora reuniu as principais autoridades da área de segurança em um encontro, no PalácioGuanabara, com o cônsul geral da China no Rio, Li Zhongliang. ?Isso foi uma surpresa para nós. Não pode acontecer, seja a um chinês, seja a umbrasileiro?, declarou o diplomata ao fim da reunião. Depois da saída do cônsul, a reunião continuou por mais uma hora, quando Rosinha exigiu o máximo de rapidez e rigor com os guardas penitenciários envolvidos. Presos - As investigações indicam que, além dos agentes, houve participação de presos no espancamento que levou Chang à morte. Osdetentos do Ary Franco que prestarem informações sobre o caso serão levados para outros presídios. ?Como o caso é de grande repercussão edependemos de outros depoimentos, a liberdade dos envolvidos pode comprometer a investigação. E o fato de os peritos terem sido procurados (pelos agentes penitenciários) sugere a necessidade decustódia preventiva dos envolvidos?, afirmou Álvaro Lins.

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