Polícia pede quebra de sigilo telefônico de vice-prefeita assassinada

A polícia de Magé vai pedir à Justiça a quebra do sigilo de todos os telefones que eram usados pela vice-prefeita do município, localizado na Baixada Fluminense. Lídia Menezes (PSDB), de 37 anos, desapareceu na noite de sábado e seu corpo foi encontrado carbonizado na manhã de domingo. O delegado Paulo CésarVieira, titular da 65.ª DP, quer saber quem era a pessoa que iria se encontrar com a vice-prefeita no sábado, quando ela esteve na sede prefeitura por cinco horas, numa atitude considerada anormal pelos guardas municipais que fazem a segurança do prédio.O corpo, que não foi reconhecido oficialmente como sendo o de Lídia, foi enterrado na tarde de hoje no cemitério de Raiz da Serra em clima de comoção. Todas as hipóteses, de assalto a crime passional, serão investigadas. Evangélica, Lídia era separada e tinha três filhos: Monique, de 19 anos, Viviane, de 17, e Vitor Magno, de 13. A prefeita de Magé, Narriman Zito, mulher do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, ambos do PSDB, esteve no velório, realizado no clube Grêmio EstrelaRaiz da Serra, ao qual compareceram mil pessoas, segundo a PM.Nervosa e chorando muito ela cobrou segurança para os políticos locais. ?Precisamos de segurança. Todos estamos abalados. Vou exigir que a polícia chegue ao fim da investigação. Está difíciltrabalhar?, desabafou a prefeita, que falou com a governadora Benedita da Silva por telefone no domingo. ?Qual é a próxima vítima? Quando a polícia vai acordar e ver que estão acontecendo crimes e mais crimes dentro de Magé??, acrescentou Narriman, que não dispensa guarda-costas e carro blindado.A pergunta da prefeita era ecoada por outros políticos da região. O vereador Dejair Corrêa (PSDB), presidente da comissão de Segurança da Câmara de Magé, vê conexão entre o caso de Lídia e outras mortes ainda não esclarecidas, como a do vereadorAlexandre Alcântara, assassinado em janeiro, e a do jornalista Mário Coelho Filho, dono do jornal A verdade, morto no ano passado. Corrêa comparou a sucessão de crimes a um jogo de xadrez. ?Está parecendo um jogo de xadrez. Não sabemos qual peça desse jogo vai ser mexida no tabuleiro. Todos os vereadores estão apavorados. Certamente, (o assassinato) tem cunho político, o que me leva a crer na existência de ligação com os crimes anteriores?, afirmou o parlamentar, que é também policial e anda armado. Ele contou que esse era o primeiro cargo político ocupado por Lídia, que antes de entrar para a política trabalhou como empregada doméstica e não tinha poder de decisão dentro da prefeitura. Corrêa afirmou que os vereadores vão pedir proteção policial ao secretário de Estado de Segurança Pública, Roberto Aguiar. O secretário disse hoje que as investigações jácomeçaram e que a polícia está fazendo a segurança da família da ex-prefeita. O deputado estadual Marcos Figueiredo (PSC), primo do vereador assassinado em janeiro, também vai cobrar da Secretaria de Segurança Pública uma solução para as mortes quevem ocorrendo no município. ?Queremos uma resposta. A população clama, exige. Está se tornando uma triste rotina na Baixada, principalmente em Magé. Daqui a pouco, vamos estar chorando a morte de outro amigo. Pode ser eu.? Lídia foi vista pela última vez no sábado, por volta de 19h30, quando deixou a sede da prefeitura. Em depoimento, os guardas municipais contaram à polícia que ela avisou que alguém aprocuraria, o que, segundo eles, não aconteceu. Por volta das 11 horas de domingo, o carro que ela usava, a Parati placa KNR 3515 de propriedade de seu pai, foi encontrado calcinado na rodovia Magé-Manilha (BR-349), na divisa dos municípios de Magé e Itambi.Dentro do carro, havia um corpo de mulher carbonizado e três projéteis de pistola de calibre não identificado. A família reconheceu o corpo, mas a identificação oficial por meio de exame de DNA vai demorar 10 dias. ?As pessoas têm que parar de ter medo e ajudar. Vou ouvir todo mundo. Alguém tem que falar alguma coisa?, disse o delegado.

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