Polícia pedirá novo laudo para descartar morte por overdose

A Polícia Civil de Taubaté, no Vale do Paraíba, vai pedir a contraprova do exame definitivo que descartou a hipótese da menina Vitória Maria Iori Carvalho ter morrido por overdose de cocaína, em 29 de outubro, no Pronto-Socorro Municipal. Depois que o exame foi divulgado pelo Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo, há uma semana, a Justiça concedeu liberdade provisória à mãe da criança, Daniele do Prado Toledo, presa inicialmente acusada de colocar a droga na mamadeira. Daniele foi detida em flagrante porque um exame preliminar, feito pelo IC de Taubaté, apontou a presença de cocaína na mamadeira. A jovem chegou a ser espancada na cadeia de Pindamonhangaba por 19 presas. Segundo o delegado seccional de Taubaté, Roberto Martins de Barros o pedido será encaminhado ao IC para que não haja mais dúvida sobre o caso. "A contraprova deve ser feita no material que sobrou do exame. Para a polícia, é um laudo complementar do teste definitivo". O novo resultado deve ficar pronto somente no ano que vem, quando também será divulgado pelo IC o laudo da análise das vísceras, urina e sangue da criança. De acordo com peritos que trabalham no IC, mas não podem se identificar, a análise definitiva já foi feita duas vezes e o resultado foi negativo para cocaína.Arquivamento de processoA advogada de Daniele, Gladiwa Ribeiro, aguarda o documento oficial do IC para ingressar no Tribunal de Justiça de São Paulo o pedido para o arquivamento do processo. Para Ribeiro, o pedido de contraprova pode atrasar o término do inquérito e o pedido de trancamento da ação no TJ. "Está provada que houve falha na máquina estatal e esta contraprova é uma forma de averiguar isso".A ação de indenização por danos morais e materiais que a família de Daniele deve mover contra o Estado deve ficar somente para o ano que vem. Vitória Maria Iori Carvalho, de 1 ano e 3 meses, estava internada com quadro de pressão baixa, sonolência, baixa freqüência cardíaca e há quatro meses sofria convulsões. Era acompanhada pela mãe Daniele que foi chamada de "monstro" depois que a filha morreu. Uma médica levantou a suspeita de cocaína na língua da criança. A médica que atende no Pronto Socorro está tendo a identidade preservada pela Secretaria Municipal de Saúde e o chefe dele, o pediatra Ciro Bertoli, não quer falar sobre o assunto.InsultosDaniele tenta voltar à rotina, quase não sai de casa e quando sai, sempre está acompanhada da advogada Gládiwa, sua amiga pessoal. Na noite de segunda-feira, 11, ela participou por três horas de um programa de televisão da TV Cidade, canal fechado de Taubaté, onde foi questionada sobre o assunto pela população, que telefonava para falar com ela. "Apesar do laudo, muita gente ainda duvida da inocência de Daniele. No programa perguntaram se ela não está mentindo, se usa drogas", disse a advogada.

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