Polícia pediu que máfia da CNH se auto-investigasse

Ciretrans é que deveriam apurar fraudes levantadas pela Prodesp

Marcelo Godoy, Rodrigo Pereira e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

A Polícia Civil deixou a cargo das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) sob suspeita a investigação da fraude na coleta da biometria da digital dos candidatos que desejam tirar carteiras de habilitação descobertas pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp). Isso fez possíveis suspeitos de irregularidades se auto-investigarem, como ocorreu no caso do delegado Fernando José Gomes, diretor da Ciretran de Ferraz de Vasconcelos.Um dos investigados na Operação Carta Branca, que levou para a cadeia 20 suspeitos de pertencer à máfia das CNHs, o delegado teve a prisão decretada no sábado. Ele chefiou a Ciretran de Ferraz, um dos centros do esquema, até 25 de março, quando foi substituído. Foi Gomes quem recebeu a incumbência de apurar as irregularidades na cidade depois que, em 27 de fevereiro, o diretor do Departamento Estadual de Trânsito(Detran), delegado Ruy Estanislau Silveira Mello, enviou ofício ao delegado-geral Maurício José Lemos Freire, informando da existência da fraude."O mesmo procedimento foi adotado em relação às outras 37 Ciretrans sob suspeita", afirmou o promotor Marcelo de Oliveira. Nelas, em vez de a Corregedoria Geral da Polícia Civil, dado o tamanho do problema, o caso foi relegado às delegacias da cidades. Nenhum diretor de Ciretran sob suspeita foi afastado até que o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desencadeassem a Operação Carta Branca na semana passada. Só então Mello anunciou o afastamento dos chefes de 14 das 38 Ciretrans citadas no relatório da Prodesp.RIBEIRÃOO diretor do Detran não afastou a hipótese de que outros chefes de Ciretrans sejam afastados por causa das investigações - sob suspeita de fraudar a coleta de digitais e vender carteiras para pessoas de outros Estados. Esse é o caso da Ciretran de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Essa unidade é uma das 24 que vão passar por correição extraordinária,A unidade de Ribeirão Pires é uma das mais citadas pelos integrantes da máfia das carteiras nas conversas monitoradas pelo Ministério Público Estadual (MPE). No dia 26 de março, às 7h08, o empresário José Antônio Gregório da Silva telefona para um amigo identificado como Zacarias. Gregório conta que mandou o pedido de carteira do interessado para Ribeirão Pires "que é onde ele sempre faz".No mesmo dia, o empresário conversa com Paulo Luís Batista, o Mongol, funcionário do Ciretran de Ferraz, para quem diz que já se acertou com o policial identificado como Galo. Gregório conta a Mongol que "abriu Ribeirão outra vez", ou seja, que a Ciretran daquela cidade voltou a fazer carteiras. Mongol e Gregório foram presos na operação.PRISÕESOs promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE, conseguiram ontem a decretação da prisão temporária de mais dois policiais acusados de envolvimento com a máfia. São os investigadores Johnson Benedito de Paula e Ulysses da Silva Leite, ambos da Ciretran de Ferraz. Seus nomes estavam na contabilidade da propina. Além disso, os promotores e os corregedores da Polícia Civil interrogaram o delegado Juarez Pereira Campos, ex-titular de Ferraz. O delegado negou as fraudes assim como o delegado Gomes já havia feito.

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