Polícia permite retorno de Nayara ao cativeiro

Essa era a condição para que Lindembergue Alves se entregasse, o [br]que não aconteceu até as 23h de ontem; coronel diz que não há risco

O Estadao de S.Paulo

17 Outubro 2008 | 00h00

Após passar pouco mais de um dia em liberdade, a estudante Nayara, de 15 anos, voltou ontem de manhã ao apartamento em Santo André, no ABC, onde Lindembergue Alves, de 22 anos, a fez refém durante 33 horas. Segundo a polícia, foi o rapaz quem pediu o retorno dela ao local onde ainda mantém presa, desde as 13h30 de segunda-feira, a ex-namorada Eloá, de 15 anos - ele tentaria reatar o namoro. Outros dois jovens foram libertados rapidamente. A polícia permitiu a entrada de Nayara, com a condição de que Alves se rendesse e libertasse as meninas. Mas isso não havia acontecido até as 23h30 de ontem, quando o cárcere privado já durava 82 horas. O comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, coronel Eduardo José Felix, descartou riscos para as adolescentes. "Ele (Alves) disse que não vai se matar nem matar as meninas." Segundo a PM, Alves não considera Nayara refém. "Ela pode entrar e sair quando quiser." O secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, acionou o Conselho Tutelar e pretende que a PM seja repreendida. "Mesmo que Nayara quisesse entrar, os policiais não poderiam autorizar. Se a convocaram, é mais grave ainda." EXPECTATIVA Nayara chegou às 8h50 ao prédio, no Conjunto Habitacional Jardim Santo André. Foi no momento em que Eloá apareceu na janela, na frente de Alves, que falava ao telefone. Minutos depois, Nayara, que também falava ao celular, entrou no edifício acompanhada do irmão mais novo da amiga - cuja presença também teria sido exigida por Alves - e de um negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). O irmão de Eloá ficou na escada. Nayara, então, entrou na casa da amiga. Os negociadores do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) falavam o tempo todo ao celular. Esperavam que Alves se entregasse. Uma hora depois, porém, ele não havia dado sinal de que o seqüestro chegara ao fim, e o irmão da adolescente saiu do prédio. Aldo, pai de Eloá, acompanhava tudo pela televisão e teve uma crise de hipertensão. Ele foi sedado e levado para o Centro Hospitalar Municipal. "Ele está muito abalado e não agüentou. Eles (pais de Eloá) estão há três dias sem se alimentar, só bebem suco", disse Evandir dos Santos, amigo da família. Na expectativa de que Alves libertasse as jovens, os negociadores do Gate ficaram na frente do prédio até as 10h45. As negociações continuaram na base montada pela polícia em uma escola estadual ao lado do conjunto de prédios. O irmão de Eloá chegou a entrar no edifício de novo, subiu as escadas e pegou os dois cachorros da família. Também pegou uma mochila rosa e a entregou ao pai de Nayara, que via a movimentação na base da polícia. A família da adolescente não quis falar com a imprensa. A última movimentação no apartamento foi quando Alves prendeu uma camisa do São Paulo na janela. Não demorou para o conselheiro do clube Marco Aurélio Cunha, recém-eleito vereador pelo DEM, chegar ao local. "Vim contribuir e não ser protagonista." A polícia, porém, o proibiu de conversar com Alves. CAMILLA HADDAD, MARCELA SPINOSA, JOSÉ DACAUAZILIQUÁ e DANIELA DO CANTO

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