Polícia prende 16 membros da milícia Águia do Mirra

Bando domina 23 comunidades e exporta modelo para outros Estados; foram apreendidas armas e granadas

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

Uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) para combater a milícia Águia de Mirra prendeu ontem 16 pessoas por formação de quadrilha e porte de armas, entre elas dois advogados e quatro policiais militares. A Leviatã II mobilizou 200 agentes de dez delegacias respaldados por 31 mandados de prisão. De acordo Cláudio Ferraz, titular da Draco, o bando domina 23 comunidades no Rio e exporta o modelo para outros Estados. "É a milícia mais bem armada. Há informes da presença do líder em São Paulo antes de ser preso. No Maranhão, milicianos foram presos praticando o mesmo modelo de extorsão."A Águia do Mirra invadiu há um ano a obra do conjunto habitacional Village da Pavuna, da Caixa Econômica Federal, na zona norte, em fase habitável, mas sem saneamento. A quadrilha vendeu unidades para 350 famílias por R$ 5 mil e cobrou taxa mensal de R$ 100. A Caixa move ação de reintegração.Durante a operação de ontem, a polícia encontrou no telhado do conjunto parte das armas da quadrilha. Foram apreendidos 4 revólveres, 4 pistolas, 2 escopetas calibre 12, uma submetralhadora, 3 radiotransmissores, granadas e munição. "É ilusório afirmar que o grupo está desarticulado, pois a reposição do efetivo é rápida", afirmou Ferraz. PMs milicianos recrutam civis para o bando. A ação do bando foi revelada há um ano quando a operação Leviatã prendeu o ex-fuzileiro naval e ex-policial militar Fabrício Fernandes Mirra, apontado como líder. De acordo com Ferraz, do Complexo Penitenciário de Bangu, Mirra continuava dando as ordens. Ontem foi preso Marcos da Silva da Rocha, de 36 anos, o segundo homem da hierarquia. Os advogados Carlos Alberto Costa de Oliveira, de 63 anos, e Marcelo Bianchini Pena, de 40, foram presos porque "pressionavam" e "orientavam" testemunhas a mentir. "Desde o início do ano prendemos 67 milicianos. No ano passado foram 68. Em 2007, foram presos 21 e apenas cinco em 2006. Isso indica que estamos incrementando o combate contra esses grupos", disse o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. As investigações descobriram que o grupo planejava assassinar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e um delegado federal.

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