Polícia prende 40 por adulteração de combustíveis em 3 Estados

Operação Paracelso contou com 280 policiais de Alagoas, Bahia e São Paulo; ao menos 9 ainda são procurados

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 18h47

Pelo menos 40 pessoas, acusadas de adulteração de combustíveis, foram presas nesta terça-feira, 15, em Alagoas, na Bahia e em São Paulo, durante a "Operação Paracelso", que contou com a participação de cerca de 280 homens da Polícia Rodoviária Federal e integrantes da Polícia Civil dos três Estados. As prisões foram decretadas pelos juízes da 17.ª Vara Especial Criminal, a pedido do Ministério Público de Alagoas.  Ao todo foram expedidos 39 mandados de prisão e 36 mandados de busca e apreensão. Foram cumpridos 30 mandados de prisão e outras dez prisões foram feitas em flagrante. Pelo menos nove pessoas ainda estão para ser presas, das quais cinco caminhoneiros na Bahia e um empresário de São Paulo, que estaria em viagem ao exterior. Em Alagoas, foram presas 28 pessoas, cinco na Bahia e três em São Paulo.  Os nomes dos presos ainda não foram revelados, para não prejudicar as investigações, já que a operação ainda está em andamento. Os presos em Alagoas foram ouvidos por uma equipe de quatro delegados da Polícia Civil, no antigo Campus Tamandaré, no Pontal da Barra, em Maceió. De lá, eles foram submetidos e exames de corpo delito no IML de Maceió e encaminhados ao sistema prisional alagoano, onde permanecerão presos.  O balanço da operação foi apresentada, no início da tarde, na sede do MP de Alagoas, pelo procurador-geral de Justiça de Alagoas, Coaracy Fonseca; pelo superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Estado, inspetor Gibson Magalhães; pelo delegado da Polícia Civil, Mário Jorge Barros; e pela promotora de Justiça Marluce Falcão, que faz parte do Grupo Estadual de Combate às organizações Criminosas (Gecoc).  Segundo a promotora Marluce Falcão, há mais de um ano que a organização criminosa vinha sendo investigada, de forma integrada, pelo Gecoc e pela PRF. "Essa investigação resultou de foram muito exitosa na desbaratamento dessa organização criminosa, que atua em vários municípios alagoanos, com ramificações em São Paulo e na Bahia, na venda clandestina e adulteração de combustíveis e de outros produtos químicos", afirmou a promotora. "Além disso, durante a investigação, nós constatamos que essa quadrilha - extremamente perigosa e organizada - é responsável também por outros crimes, como sonegação fiscal, roubo de carga, venda de armas e até seqüestros e homicídios", informou a promotora. Para ela, a investigação está apenas começando. "Com certeza, com base nesse trabalho, nós vamos chegar muito mais longe nessa investigação", observou.  600 mil litros Segundo inspetor da PRF Gibson Magalhães, a organização criminosa era responsável pela adulteração de pelo menos 600 mil litros de combustíveis por mês em Alagoas, o que corresponde a um faturamento médio mensal em torno de R$ 2 milhões. "Só em sonegação fiscal, em Alagoas, cuja a alíquota de ICMS é de 25%, o prejuízo é superior a R$ 500 mil por mês", informou o inspetor, acrescentando que a operação contou com apoio de fiscais da Secretaria da Fazenda. O inspetor Gibson Magalhães revelou ainda que, durante a operação, foram apreendidos computadores, muito material de contabilidade e equipamentos usados para adulterar o combustível. "Além disso, foram apreendidos cerca de R$ 130 mil em cheques e R$ 55 mil em espécie", acrescentou o inspetor. Entre os presos, há empresários, caminhoneiros, funcionários públicos, donos de postos e de empresas distribuidoras de combustíveis.  Durante a operação, foram usados também dois helicópteros de apoio, oitenta viaturas e um ônibus da PRF, que serviu de delegacia ambulante. Em Alagoas, as prisões foram realizadas na região de São Miguel dos Campos, Junqueiro, São Sebastião e Arapiraca. "Em alguns locais tivermos dificuldade de acesso, porque o combustível era adulterado em galpões fechados, com muro alto e portões fechados", concluiu o inspetor.

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