Polícia prende 57 policiais acusados de cobrar propina no Rio

Acusados de extorquir camelôs e mototaxistas ilegais, 50 PMs e 7 civis foram presos

Fábio Grellet e Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2013 | 20h36

RIO - Cinquenta e sete policiais (50 PMs e 7 civis), além de outras 14 pessoas, foram presos na terça-feira, 30, acusados de cobrar propina de camelôs e mototaxistas ilegais para permitir que eles trabalhassem, nos bairros de Honório Gurgel, na zona norte do Rio, e Bangu, na zona oeste. Ao todo, 78 mandados de prisão haviam sido expedidos, sendo 53 contra PMs, 7 contra policiais civis e 18 referentes a outras pessoas.

Segundo as investigações, o grupo exigia R$ 70 de camelôs que vendiam mercadorias "pirateadas", enquanto quem vendia mercadorias lícitas tinha de pagar R$ 10. Os denunciados são acusados dos crimes de formação de quadrilha, concussão e roubo.

A partir das investigações da SSINTE e da Corregedoria da Polícia Militar, que duraram seis meses, foi constatado o envolvimento de policiais civis e militares na cobrança de propina de camelôs e mototaxistas ilegais nos bairros de Honório Gurgel e Bangu.

Segundo as investigações, os réus exigiam de camelôs e mototaxistas, por meio de ameaças com armas, determinadas quantias de dinheiro: os comerciantes que trabalhavam com mercadorias "pirateadas" (DVDs, aparelhos eletrônicos, telefones celulares, roupas e relógios usados) eram coagidos a pagar R$ 70, divididos em duas parcelas de R$ 35 cobradas todas as quartas e quintas-feiras; já dos vendedores de mercadorias lícitas era cobrada a quantia de R$ 5, sempre às sextas e aos sábados. Além disso, mercadorias apreendidas de forma irregular eram revendidas a outros feirantes.

Em flagrantes feitos pelas equipes de Inteligência da Secretaria de Segurança foi detectado ainda que um homem, que se passava por policial civil, e policiais militares repartiam o dinheiro recolhido com duas viaturas que costumavam parar sistematicamente para recolher a propina. Passou-se então a se investigar um esquema de corrupção envolvendo policiais do 14º BPM (Bangu), da 34ª DP (Bangu) e da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM).

Durante a apuração da denúncia, mototaxistas revelaram não possuir carteira nacional de habilitação e não trafegar de acordo com as leis de trânsito. Foi identificado que muitos mototaxistas faziam ainda o transporte de drogas para usuários. Com a propina paga aos policiais, as irregularidades não eram combatidas. As corregedorias das Polícias Civil e Militar já instauraram procedimentos investigativos. Desde 2008, mais 1.400 policiais civis e militares foram expulsos das corporações.

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