Polícia prende acusado de comandar chacina em Guaíra

Massacre deixou 15 mortos e oito feridos na cidade da fronteira entre o Paraná e o Paraguai em 22 de setembro

Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo,

15 Outubro 2008 | 14h13

Acusado de comandar a chacina que deixou 15 mortos em Guaíra, na fronteira entre o Paraná e o Paraguai, Jair Corrêa, de 52 anos, foi preso em Rosana, no interior de São Paulo. Ele é acusado de comandar a chacina do dia 22 de setembro. Corrêa foi preso depois de passar nove horas em um barco até chegar em Rosana, segundo informações do Ministério Público do Paraná. As buscas a outros dois acusados, Gleibson Corrêa, filho de Jair, e Ademar Fernando Luiz, continuam.   Veja também: A crônica da chacina em Guaíra Galeria traz fotos de Guaíra  Ouça o relato do repórter Bruno Paes Manso  Ouça o relato do fotógrafo Tiago Queiroz   Todas as notícias sobre a chacina     Não há informações de onde ele havia partido até chegar em Rosana. Correa foi levado a Umuarama, no Paraná, de onde foi levado de avião a Curitiba, onde seria apresentado à Justiça. A prisão aconteceu entre a noite de terça e a madrugada desta quarta-feira, 15.   Corrêa teria assumido a co-autoria na chacina, alegando que era uma vingança devido à morte de seu enteado, Dirceu Pereira de França, ocorrida cerca de 20 dias antes, segundo informações do secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari. França teria sido morto por integrantes da quadrilha de Jossimar Marques Soares, o Polaco, um dos mortos na chacina, em razão de uma dívida de R$ 4 mil. Em entrevista, Corrêa negou que tivesse qualquer participação na chacina.   Delazari disse que provavelmente os três acusados separaram-se logo depois das mortes. Corrêa teria ido, então, até a região de Itaquiraí (MS), onde ficou escondido durante todo o tempo no meio da mata fechada, com ajuda de familiares. "Ele é do mato e tem facilidade para viver ali", acentuou o secretário.   Na madrugada desta quarta, ele teria deixado o local, seguindo em uma pequena canoa pelo Rio Paraná, em direção a Rosana, onde pretendia tomar um ônibus para São Paulo. "Ia se esconder no meio daqueles 11 milhões de pessoas", disse.   No entanto, depois de oito horas de viagem pelo rio, foi interceptado no meio do mato pelos policiais que ficaram acampados por três dias. "Não deu nem tempo de reagir", afirmou Delazari. Segundo ele, caso os policiais não tivessem sucesso nessa investida, outra equipe estava postada no Terminal da Barra Funda, em São Paulo, para onde ele iria. Na capital paulista seria recepcionado pela mulher e um filho. Segundo o secretário, as informações de que os suspeitos da chacina teriam passado pelo Paraguai não se confirmaram. "A opção foi por esse trabalho de inteligência", disse.   Outros acusados   Além das buscas pelos outros dois acusados, a polícia tenta encontrar as armas usadas na chacina para saber quem foram os fornecedores. Delazari insistiu que as mortes foram um "caso isolado". Segundo ele, desde o início do ano houve 13 homicídios em Guaíra, que fica na fronteira com o Paraguai, um deles depois da chacina. "A chacina foi fruto de uma mente e de um comportamento criminoso", acentuou. Ele acredita que o estado de embriaguez "deve ter potencializado o instinto criminoso".   De baixa estatura e magro, Corrêa chegou a Curitiba em um avião do governo do Estado e foi apresentado no 1º Distrito Policial. Negou que tivesse qualquer participação na chacina. Disse que mora em Guaíra, onde é pescador profissional. Segundo ele, seu enteado foi morto por duas pessoas, identificadas por ele como Nel (Manoel Pascoal da Silva, também morto) e Nelsinho. Segundo Corrêa, eram da quadrilha de Polaco. "Eram tudo companheiro lá", afirmou.   Ele disse que não estava na chácara no momento da chacina e ficou sabendo ao escutar um radinho de pilha. E, quando ouviu que era suspeito, decidiu fugir no sábado seguinte à chacina, ocorrida em uma segunda-feira. "Até minha família fugiu. Todo mundo queria matar eles lá", afirmou. "A casa está tudo abandonada lá, com tudo lá, foi colocado um cachorro no quintal e eu saí."   Ele confirmou que pretendia ir para São Paulo. Corrêa já foi condenado por tráfico há cerca de 18 anos, mas nega envolvimento. Segundo ele, estava apenas cuidando de uma draga de garimpo, quando o dono foi preso com "mercadoria" e ele também acabou acusado.   Texto ampliado às 20 horas para acréscimo de informações.

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