Polícia prende acusados de fraude contábil com combustível

A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas do Paraná prendeu nesta quarta-feira, 7, 15 pessoas no Paraná e Santa Catarina acusadas de fazerem parte de uma quadrilha de sonegadores fiscais, por meio de distribuição ilegal de combustível. Segundo a polícia, o esquema rendia pelo menos R$ 50 milhões ao ano. Entre os presos estão dois auditores fiscais da Receita Estadual e empresários. Até mesmo um avião foi apreendido pelos policiais, além de R$ 3 milhões em cheques e R$ 60 mil em dinheiro.Nas buscas e apreensões feitas nesta quarta, foram recolhidos diversos equipamentos de informática, agendas, escrituras, telefones celulares, carros, blocos de notas frias, CDs, disquetes e documentos que passam a ser analisados. Também foi apreendida uma arma. "Por conta de todo esse volume de apreensões e de prisões, com certeza a operação terá desdobramentos", afirmou o delegado Marcus Vinícius Michelotto. "A partir dos depoimentos dos presos deveremos chegar a outras pessoas envolvidas com o esquema e vamos atrás delas."Segundo o delegado, o esquema da quadrilha começou a ser desvendado há seis meses, quando Sandro Baptista de Oliveira, considerado peça-chave no esquema, abriu um posto em nome de um "laranja" em Curitiba. Michelotto acentuou que a investigação levou ao descobrimento de que a Ciax Comércio de Petróleo, uma das maiores do Sul do Brasil e constituída legalmente, estaria usando empresas de fachadas e suas notas frias para vender combustível e sonegar impostos. Sandro seria o responsável por montar as empresas de fachada."Precisamos descobrir se o Sandro era uma espécie de laranja desses empresários ou seria ele o mentor de todo o esquema, vendendo seus serviços para as empresas", disse Michelotto. Ele estaria recebendo valores mensais das empresas. As investigações ainda apontaram que João Roberto Linhares, fiscal da Receita Estadual do Paraná, estaria envolvido no esquema havia muito tempo.Já o fiscal Alceu Cardoso Júnior teria aceitado propina de R$ 600 para liberar uma carga irregular. "Queremos saber agora quem são os postos que compram álcool ilegal e, principalmente, de quais usinas ele é retirado para a entrega", disse o delegado.

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