Polícia prende autores de mais de 100 seqüestros

A Polícia Civil prendeu dois assaltantes que fazem parte de uma quadrilha chefiada pelo traficante Juraci Oliveira da Silva, o Jura, de 34 anos, e possibilitou a liberação de um economista seqüestrado. O grupo é responsável por 122 seqüestros relâmpagos, a maioria nas zonas sul e oeste e nos Jardins, em São Paulo. "Em média, os ladrões lucravam de R$ 3 mil a R$ 5 mil por vítima", disse o delegado Olavo Reino Francisco, da Seccional Sul.Além de sacar dinheiro com os cartões de crédito das vítimas, os ladrões passaram a levar homens e mulheres para os cativeiros. "Era para ter tempo de descontar cheques e exigir o pagamento de resgate das famílias", confessou à polícia um dos presos, Márcio Baptista dos Santos, de 24, autor de furtos e roubos. Ele foi preso na quarta-feira, no interior da agência do Banco Itaú na Avenida Luís Carlos Berrini, na Vila Olímpia, onde acabara de descontar um cheque de R$ 1.860,00 de um economista, que pediu à polícia para não ter seu nome divulgado.Com a prisão de Santos, os cúmplices libertaram a vítima, que era mantida em cativeiro da Rua General Henrique Caviglia, 297, Vila Moraes, Sacomã. Santos indicou aos policiais da Seccional Sul a casa usada para cativeiro e possibilitou a prisão do segurança Cássio Yoshio Yamada, de 26 anos, encarregado de vigiar as vítimas.CondicionalA polícia procura por Jura e por Luís Cláudio Simeão, de 26 anos. Os dois cumpriram condenação por assaltos e estão em liberdade condicional há mais de dois anos. O delegado Reino Francisco informou que o Serviço de Inteligência de sua seccional começou a fazer o levantamento de todas as vítimas do grupo. "Eles agem desde o começo do ano e usam o dinheiro ganho com as extorsões para comprar armas, drogas, casas e carros que estão em nome de familiares distantes."Na manhã de quarta-feira, o economista de 52 anos saiu de casa em seu carro importado para jogar tênis com alguns amigos. Eram 6h50 quando, no bairro de Mirandópolis, teve o carro fechado pelo Vectra de placa CLE-1168, ocupado por dois homens armados. Um deles desceu, obrigou o economista a passar para o banco de passageiros e pegou o volante do carro importado, sendo seguido pelo Vectra. O celular da vítima tocou algumas vezes durante o trajeto.O economista foi autorizado a atender, sendo orientado pelo ladrão para dizer que seu carro apresentara defeito mecânico e ele estava seguindo para a concessionária.Pararam numa praça e a vítima foi obrigada a entregar a carteira, os cartões de crédito, o talão de cheque e o relógio de pulso. Os dois exigiram as senhas, obrigaram-no a assinar seis folhas do talão de cheque e o trancaram no porta-malas do Vectra.O carro dos seqüestradores rodou por mais de 20 minutos até chegar ao cativeiro e ser estacionado na garagem. O economista teve o rosto coberto por um gorro de lã. Retirado do porta-malas, foi levado para o interior da casa, onde estavam outros dois homens. Recebeu a ordem para que se deitasse num sofá. "Eles começaram a me interrogar. Queriam saber minha função na empresa que trabalho, quanto eu ganhava e tive de repetir as senhas dos cartões", disse a vítima à polícia.Ele disse ter ouvido os seqüestradores efetuarem muitas ligações pelos celulares. Algumas horas depois, um deles gritou "sujou". Os criminosos colocaram a vítima novamente em um porta-malas, desta vez de um Gol. Saíram da casa, rodaram por algum tempo e libertaram o economista na Rua Felipe Lipi, que é travessa da Avenida Padre Arlindo Vieira, na zona sul.CúmpliceA libertação foi provocada pela prisão do assaltante Santos dentro do banco. Entre os telefonemas recebidos pelo economista durante o seqüestro, um era do amigo que o esperava para o jogo de tênis. Ele não acreditou na história do defeito do carro e avisou a mulher e o filho do economista da suspeita de seqüestro. E procurou a polícia.A mulher do economista telefonou para o banco, alertando o gerente sobre os saques que poderiam ser feitos na conta do marido. E deu certo. Assim que o cheque de R$ 1.860,00 foi descontado, Santos foi preso.

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