Reprodução/Google Street View
Reprodução/Google Street View

Polícia prende homem suspeito de manter a família em cárcere privado por 17 anos no Rio

Mulher e dois jovens estavam amarrados, sujos e subnutridos; ele colocava música alta para impedir que vizinhos ouvissem os gritos das vítimas

Marcio Dolzan e Fabio Grellet, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2022 | 10h00
Atualizado 29 de julho de 2022 | 19h52

RIO -  O lanterneiro Luiz Antônio Santos Silva, de 49 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira, 28, em sua casa em Guaratiba, bairro da zona oeste do Rio, acusado de manter a mulher e dois filhos em cárcere privado durante 17 anos. A Polícia Militar foi até o local após receber denúncia anônima. A mulher, de 40 anos - e os filhos estavam amarrados e foram internados com desidratação e desnutrição grave. Os jovens – uma moça de 22 anos e um rapaz de 19 – têm aparência de crianças, aparentemente por subnutrição. Segundo ela, os filhos têm problemas psicológicos e físicos.

A mãe contou à polícia que ela e os filhos ficavam até três dias sem comer. Vizinhos relataram que Silva chegou a jogar fora comida que ganhava de vizinhos. O caso chegou ao conhecimento de autoridades há dois anos, mas aparentemente nenhuma providência prática havia sido tomada até esta quinta-feira, quando a Polícia Militar foi acionada.

Policiais do 27º Batalhão (Santa Cruz) receberam a denúncia anônima e foram à casa, na rua Nagib Assad. É um imóvel precário, sem piso nem pintura nas paredes. Ao constatar o que ocorria, prenderam Silva e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar socorro às vítimas. Mulher e filhos foram encaminhados ao Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande (zona oeste), onde permanecem internados em estado estável. Estão também recebendo apoio psicológico e de assistência social.

A situação assustou até os policiais que atenderam a ocorrência. “Recebemos uma denúncia anônima de que uma família estava sendo mantida em cárcere privado. Quando a guarnição entrou na casa, encontrou dois jovens amarrados pelos pés e sujos. Havia até fezes no local. Inicialmente, pensávamos que eram crianças, tal era o nível de desnutrição da moça e do rapaz”, contou em entrevista o capitão William Oliveira, integrante do 27º Batalhão.

Em depoimento à polícia, a mulher contou que vivia com Silva havia 23 anos (desde os 17 anos de idade). Ela disse que ele nunca permitiu que ela trabalhasse nem que os filhos frequentassem a escola. Silva não tinha emprego fixo – fazia bicos em várias funções – e mantinha a mulher e os filhos presos.

No momento em que a polícia chegou, o rapaz estava com os pés amarrados por cordas e a moça com as mãos amarradas aos pés. a mulher afirmou que ela e os filhos sofriam agressões frequentes, e disse acreditar que a denúncia foi feita por sua irmã, com quem ela pretende morar quando sair do hospital.

Silva era conhecido na vizinhança como DJ, porque costumava ouvir música em alto volume. Seria  uma forma de impedir que vizinhos ouvissem os gritos da mulher e dos filhos, quando pediam socorro. De fora, era impossível ver qualquer parte interior da casa – as grades eram forradas com lona. Ao ser preso, Silva afirmou aos policiais que não praticava nenhum crime.

 

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