Polícia prende oito acusados de assaltar senador

A polícia prendeu oito dos 18 assaltantes que invadiram a casa do senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) no domingo de Páscoa. Oito quadros roubados e parte das jóias da família foram recuperadas. O mentor do crime era um dos seguranças do condomínio de luxo em que o senador tem casa, em São Conrado, na zona sul. Silvério Moreira Braga, de 41 anos, havia sido condenado a sete anos por roubo e era foragido da Justiça.Braga namorou uma ex-cozinheira da família e ouviu dela que o casal mantinha um cofre com jóias. Do jardineiro, soube que o senador vinha ao Rio com "grande quantidade de dinheiro". Ele levou quase um ano preparando o assalto. E formou um consórcio que reuniu moradores da Rocinha - onde morava -, do Morro da Providência, no Centro, e da Favela Parque União, na Ilha do Governador. "Eles acreditavam que encontrariam uma mala com R$ 2 milhões e um cofre cheio de jóias. Mas levaram R$ 15 mil e um cofre vazio", disse o delegado Rodrigo Martiniano, da 15.ª Delegacia de Polícia (Gávea).O domingo de Páscoa foi escolhido para o assalto porque era o dia em que Braga daria plantão na guarita. O táxi de Gláucio Dias de Oliveira, de 27 anos, também preso, abria caminho para um Fiat Uno e um Siena. A tentativa do bando era não chamar atenção caso alguém visse o segurança abrindo a cancela do condomínio para o comboio.Na casa de Mestrinho, os assaltantes passaram a exigir a senha do cofre, já desativado. Segundo as investigações, Fredson Carvalho Teixeira, de 33 anos, foi o homem que fez um corte no dedo da mulher do senador, Emília, manchou uma toalha de sangue e fazia ameaças a Mestrinho, que estava em outro cômodo. Ele também tem prisão preventiva decretada por crime de seqüestro seguido de morte e ocultação de cadáver.Quadrilha desbaratadaA quadrilha começou a ser desbaratada depois que o delegado começou a ouvir 63 ex-funcionários da casa, entre eles a ex-cozinheira que namorou Braga. No dia 18 de abril, dois dias depois do assalto, o segurança foi o único funcionário da empresa de segurança que não apareceu para receber o salário. Foi preso no dia seguinte, ao desembarcar na Rodoviária Novo Rio, vindo de Rio Bonito.Cada assaltante recebeu R$ 750 pelo assalto. Eles não conseguiram vender os quadros roubados - havia obras de Djanira, Di Cavalcanti, entre outros artistas. As jóias foram recuperadas numa joalheria do Centro. O proprietário foi indiciado por receptação de produtos roubados.Entre os presos pelo assalto está Antônio Santos Gonçalves Filho, o Didico, morador da Providência. Ele foi condenado a 19 anos de prisão por homicídio no Maranhão. A prisão preventiva dos oito acusados do assalto vence nesta quarta-feira. O delegado vai pedir prisão temporária para a quadrilha.Outros cinco suspeitos têm a prisão preventiva decretada e cinco foram identificados apenas por apelidos.

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