Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

Polícia prende quadrilha que clonava cartões no Rio

Grupo organizava novo golpe, com tecnologia adquirida em São Paulo, que renderia US$ 20 mil

Clarissa Thomé , O Estado de S.Paulo

16 de março de 2009 | 14h42

A Polícia Civil desbaratou uma quadrilha especializada em clonagem de cartões de crédito, nesta segunda-feira, 16, na operação batizada de Crédito Fácil. Cinco pessoas foram presas, entre elas o homem apontado como chefe do bando, o empresário Rogério Antunes Cerqueira, de 28 anos. Outros quatro estão foragidos. O grupo, que adquiria a tecnologia para a clonagem de cartão em São Paulo, preparava um novo golpe que renderia US$ 20 mil por dia.

 

O bando começou a ser identificado a partir de registros de ocorrências feitos por turistas estrangeiros, no ano passado, de fraudes com cartões de crédito. O delegado Fernando Veloso, da Delegacia de Apoio ao Turismo (Deat), descobriu que Rogério e o primo Cristiano Cerqueira da Silva, de 34 anos, aliciaram funcionários de empresas de manutenção de máquinas de cartão. Eles instalavam equipamentos adulterados nas lojas e os recolhiam dias depois, com os dados dos clientes.

 

Para isso, simulavam um defeito na máquina. Depois que o equipamento fraudado havia armazenado dados de clientes, a troca era desfeita para não levantar suspeita das empresas contratadas para a instalação e manutenção das máquinas de cartão. "Os lojistas devem ficar atentos a esses funcionários e ligar para a empresa sempre que desconfiar de alguma coisa. E sempre exigir a identificação", alertou o delegado Veloso.

 

A quadrilha revendia para outros bandos os cartões clonados (internacionais eram negociados a R$ 400. Já os nacionais, saíam a R$ 300). Também fazia compras em lojas, sites e até no Paraguai. Os produtos - laptops, tevês de plasma, máquinas digitais e telefones celulares - eram vendidos em rifas, anúncios de jornal e no site Mercado Livre. Veloso calcula que, por baixo, o grupo dava prejuízo mensal de R$ 350 mil às operadoras de cartão.

 

O bando se preparava, agora, para comprar equipamento que permitiria à quadrilha ter acesso online às informações dos cartões de crédito usados nas lojas, sem a necessidade de voltar ao estabelecimento e recolher as máquinas. Nas escutas telefônicas, Rogério Cerqueira negociava com um homem a compra do equipamento com a nova tecnologia por R$ 15 mil. Na conversa, o interlocutor elogiava o equipamento. "Pega até o alfabeto", disse. "(Vamos) fazer aí por dia uns US$ 20 mil".

 

O grupo começou a ser investigado em julho do ano passado. Veloso conseguiu provar que eles instalaram máquinas em cinco estabelecimentos e usaram os cartões falsificados em 58 operações de compra. Os envolvidos no crime tinham vários cartões de crédito em seu nome, mas a tarja magnética continha informações de contas de clientes lesados. Foram apreendidos computadores, laptops, câmeras digitais, talões de rifas, cheques, cartões e R$ 2.000.

 

Dos nove acusados que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça, estão presos, além de Rogério e Cristiano, os funcionários das empresas de manutenção, Leonardo Rosa dos Santos, de 32 anos, e Ricardo Noronha de Almeida, de 32, e Ronaldo Gentil dos Santos Júnior, de 29 anos, que fazia as compras para a quadrilha. Santos Júnior estava com casamento marcado para o fim do mês.

 

Permanecem foragidos Adriano Aguiar de Oliveira, de 26 anos, acusado de aliciar funcionários em empresas de manutenção, Joélcio Lara Ribeiro, de 33 anos, acusado de comprar os dados da quadrilha de Rogério e alugar as máquinas adulteradas, e Ricardo Ferraz da Silva, de 34 anos, e João Batista Rozendo Ferreira, cujas funções no bando não foram esclarecidas pela polícia.

 

Atualizado às 18 horas para acréscimo de informações.

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