Polícia prende quadrilha que vendia notas fiscais

Uma operação envolvendo técnicos da Secretaria da Fazenda do Estado, Ministério Público e as polícias Civil e Militar resultou no desbaratamento de uma quadrilha especializada em vender notas fiscais fraudulentas para transporte de cargas na região de Barreiras, oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do Nordeste. Quatro integrantes da quadrilha foram presos, centenas de talonários e quatro computadores apreendidos. A estimativa da Secretaria da Fazenda é de que o esquema resultava na sonegação de R$ 3,5 milhões por ano.As notas fiscais eram oferecidas pelos fraudadores a motoristas de caminhão - o transporte rodoviário é o principal meio de escoamento da agricultura da região que responde por 71% da produção de grãos do Estado - em postos de gasolina dos municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Os talonários custavam R$ 3 mil e as notas avulsas tinham valores entre R$ 50 e R$ 80.Por causa do esquema, o valor do imposto interestadual sobre o frete de 12% vinha sendo sonegado integralmente. As notas eram apresentadas pelos caminhoneiros nos postos de fiscalização da Secretaria da Fazenda e as cargas liberadas sem qualquer problema.Segundo o delegado Arthur Gallas, chefe da Delegacia de Crimes Econômicos contra a Administração Pública, foi preciso 90 dias de investigação para se chegar aos responsáveis. A quadrilha abria empresas "fantasmas" em nome de "laranjas" com endereços falsos. Após a legalização da empresa, os fraudadores solicitavam a emissão do talão fiscal, que era usado no esquema. Certos da impunidade, os fraudadores colocaram como endereço de uma das empresas "fantasmas" ironicamente o cemitério de Barreiras. Foram presos na operação Moyses Barbosa Bitencourt, Jorge Luís Santos Silva, Adriano Monteiro de Souza e José Arcanjo da Silva Filho.

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