Polícia prende suspeitos de matar advogado no ES

Três homens - entre eles um policial militar - foram presos, sub suspeita do assassinato do advogado Marcelo Denadai, morto na noite de segunda-feira em Vila Velha, na Grande Vitória. De acordo com o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel Edson Ribeiro Carmo, os presos podem ser integrantes de grupos de extermínio. Denadai participou de investigações sobre o crime organizado no Estado.A polícia esteve em quatro endereços nos bairros de Cocal e Terra Vermelha, em Vila Velha. Com o cabo da PM, os policiais encontraram um revólver sem registro, calibre 38 - o mesmo tipo de arma usado contra Denadai. O revólver passará por perícia. "Eles são fortes suspeitos e vamos pedir a prisão preventiva deles", afirmou Carmo. Ele disse ainda que os presos, cujos nomes não foram divulgados, estão envolvidos em outros crimes.O Gol branco que foi utilizado pelos assassinos no dia do crime também foi recuperado. O veículo estava numa oficina de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo. "Já havíamos localizado o dono dele, mas ele informou que vendeu o carro. Estamos atrás do novo dono", informou o secretário.PeríciaO escritório do advogado Marcelo Denadai, no centro de Vitória, foi periciado no início da tarde. Policiais apreenderam documentos, o computador do advogado e fitas com gravações de conversas telefônicas. Denadai vinha gravando suas conversas ao telefone desde que escapou de um atentado, em 1997. "Prendemos os suspeitos de terem cometido o crime. A partir do que foi apreendido no escritório, vamos chegar aos mandantes", acredita o secretário de Segurança Pública.O conselheiro da Comissão Nacional de Direitos Humanos Humberto Spíndola, enviado ao Espírito Santo pelo Ministério da Justiça para acompanhar a investigação policial, pediu proteção da Polícia Federal para a advogada Maria Aparecida Denadai, irmã de Marcelo Denadai. "A situação do Estado em relação aos crimes contra a vida é muito grave. Somente no último fim de semana, um pessoa foi assassinada a cada hora. Isso não é nada desprezível", afirmou o diretor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Heucias Castro. Ele esteve presente à reunião em que o conselheiro Spíndola disse que pediria proteção para Maria Aparecida. Amanhã, Spíndola deve entregar um relato da situação no Espírito Santo ao ministro da Justiça, Miguel Reali Júnior. Entre outras providências, Spíndola pode pedir a intervenção da PF no caso Denadai. "A obrigação de todo mundo é ajudar. Se a Polícia Federal puder dar alguma colaboração, será bem-vinda", reagiu o secretário de Segurança, coronel Carmo.

Agencia Estado,

18 de abril de 2002 | 12h08

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